segunda, 23 de julho de 2018

Apresentações Culturais

Cultura além dos portões

23 NOV 2010Por OSCAR ROCHA00h:00

Uma das missões da escola, seja pública ou privada, é desenvolver o gosto pela cultura e manifestações artísticas. Daí surgem atividades constantes feitas por alunos e monitoradas por professores, em torno da música, dança, teatros, entre outros. São produzidas apresentações que, geralmente, têm interesse restrito ao ambiente escolar. Porém, há casos em que a qualidade das propostas as faz saltar os muros das instituições de ensino, ganhando público amplo, recebendo elogios externos e proporcionando momentos realmente de qualidade artística.

Em Campo Grande, há exemplos nesse sentido nas redes estadual, municipal e particular. A Escola Municipal Consulesa Margarida Maksoud Trad é uma delas. Localizada no Bairro Estrela D’alva, mantém desde 2005 trabalho em torno da dança, que nos últimos dois anos recebeu o título de Melhor Quadrilha no concurso promovido pela Fundação Municipal de Cultura.

“Era um grupo que existia fazendo vários tipos de coreografias e, com o aparecimento do concurso de quadrilha, resolveu participar”, conta o professor de Artes   Cláudio Ovando Piuna, responsável pelas coreografias. Atualmente, participam 28 bailarinos, entre alunos e ex-alunos. “Tem alguns que, mesmo fora da escola por terem terminado o curso regular, resolveram continuar participando”, destaca o professor.

O resultado do trabalho foi tão bem aceito, que no período das festas do meio do ano, após o concurso da Prefeitura, os convites para apresentações aparecem de vários pontos da cidade. “Chegamos, numa mesma noite, a dançar em três lugares diferentes”. O trabalho deste grupo inicia-se nos primeiros dias de aula, quando o professor apresenta pesquisa de temas a serem desenvolvidos e as músicas que podem ser utilizadas. “A nossa intenção é se superar todos os anos, por isso a dedicação precisa ser intensa”. O sucesso do grupo é explicado pelo desenvolvimento cênico da coreografia, certa teatralização, e a integração entre os bailarinos, mostrando que os ensaios são constantes.

Pesquisa e dedicação
“Nós não dançamos somente em velório, porque com certeza já nos apresentamos em quase todas as ocasiões”, brinca a coordenadora pedagógica do Colégio Tic-Tac e responsável pelo grupo de dança que leva o nome da instituição, Daniella Penrabel de Souza. Formado em 2002, atualmente conta com sete integrantes, com idade variando entre 14 e 22 anos. Focado na dança regional, o grupo tem como principal chamariz as coreografias originárias do Paraguai. A pesquisa é minuciosa em torno do assunto.

Em 2004, a escola recebeu dançarinos de Concepcion (Paraguai) durante vários dias,  que ministraram oficina na qual professores e bailarinas receberam orientação em torno das danças guaranis. A proposta deu tão certo, que atualmente as alunas se tornaram conhecidas no circuito de eventos. “Quando o pessoal precisa de um grupo que mostre um pouco da cultura local já lembra da gente”, afirma Daniella.

Os locais de apresentação são amplos:  igreja, supermercado, prefeitura, escola, entre outros. Assim como o grupo da Escola Consulesa Margarida Maksoud Trad, que viajou para fora de Campo Grande para mostrar sua dança – foi convidado para participar da Festa de São João, em Corumbá –, o Grupo de Dança do Colégio Tic-Tac também visitou cidades do interior, como Três Lagoas e Costa Rica.

Embasamento
Os integrantes do Grupo Tuiuiú ainda não saíram tanto da Capital quanto os citados, mas talento não falta. Originário da Escola Estadual Professora Maria de Lurdes Toledo Areias, no Bairro Recanto dos Rouxinóis, conta com 20 integrantes, entre 9 e 15 anos. A formação se deu a partir do Projeto Camalote Vai à Escola, que acontece em cinco escolas e tem como base o trabalho do grupo formado pela professora Marlei Sigrist (UFMS). “O trabalho na escola deu tão certo que resolvemos fazer um grupo para apresentações externas”, explica a coordenadora do grupo, a professora Luciene Bicudo.

A proposta é embasar os bailarinos com informações sobre cultura popular e produzir coreografias explorando ritmos locais. “O resultado tem sido muito bom. O fato de levar o nome da escola e do grupo para outros lugares acaba incentivando, não somente os integrantes, mas os familiares e os colegas que assistem ao resultado do trabalho”.

Os ensaios acontecem às quartas  e quintas-feiras e aos sábados, sendo que neste último atinge cinco horas. Além da dança, dentro do grupo os integrantes desenvolvem trabalho de pintura, costura e cenografia. A intenção da coordenadora é de que a iniciativa seja patrocinada para que os bailarinos possam receber bolsas para se manter na formação, com isso evitaria a saída daqueles que têm mais experiência.  

No momento,o grupo conta com 12 coreografias, atingindo uma hora de apresentação. No histórico do grupo aparecem apresentações em vários pontos de Campo Grande e sempre com sucesso. Mais uma prova de que as escolas são celeiros de jovens talentos.

Calendário
A preocupação em mostrar o que está sendo produzido artisticamente nas escolas municipais levou a Secretaria Municipal de Educação (Semed) a estabelecer um calendário, no qual todas as escolas da rede podem  se apresentar em eventos da própria Prefeitura ou da comunidade. “Assim, possibilitamos que um trabalho feito em Anhanduí, por exemplo, possa ser visto no centro de Campo Grande, ou, então, de uma determinada região pode ser visto em outra. Desta maneira damos oportunidade a todos”, explica o coordenador da Divisão de Esporte, Lazer e Cultura, Alberto Lechuga Andrade.

Atualmente, segundo o coordenador, os alunos das  escolas municipais recebem orientação em torno da dança, coral, violão, flauta, percussão e instrumentos de bandas e fanfarras. “Fazemos levantamento dentro da comunidade para estabelecer que tipo de manifestação cultural será melhor recebida”.

Um exemplo de proposta que circula por vários lugares da Capital é a banda da Escola Municipal Nerone Maiolino, do Nova Lima, que atende 45 crianças e adolescentes. “Além de Campo Grande, também nos apresentamos em Costa Rica, Rochedo e Jardim, mostrando ritmos brasileiros como a bossa nova e o baião”, explica o regente da banda Fábio Costa Cacho.

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