Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

ARGENTINA

Cristina reaparece em público pela primeira vez após morte de Kirchner

2 NOV 2010Por ESTADÃO21h:15

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, reapareceu em público nesta terça-feira, 2, em um ato de seus partidários em Córdoba, o primeiro de que participa após a morte de seu marido e ex-presidente do país, Néstor Kirchner. As informações são da AFP.

Trabalhadores da indústria automobilística, sindicatos e grupos peronistas se reuniram em uma manifestação de apoio a chefe de Estado em uma fábrica da Renault na periferia da cidade de Córdoba, cerca de 700 km ao noroeste de Buenos Aires, onde a presidente assistiu a apresentação de um novo modelo.

Ontem, Cristina agradeceu pela TV as demonstrações de dor e respaldo de centenas de milhares de argentinos que compareceram ao velório de seu marido em Buenos Aires, e os que acompanharam o cortejo fúnebre até o cemitério de Rio Gallegos, cidade da Patagônia onde Kirchner nasceu e foi enterrado.

Para esta terça, esperam-se as primeiras definições políticas da presidente a um ano das eleições presidenciais de 2011, para as quais Kirchner era tido como possível candidato. Agora, se articula uma nova fase do governo peronista.

O chefe de gabinete, Aníbal Fernández, ratificou hoje que a orientação fiscal será mantida, apesar da perda do homem forte da política do país. "Por definição estratégico-política de Juan Perón (fundador do partido e três vezes presidente), sempre nós peronistas temos defendido que a coluna vertebral é o movimento trabalhador organizado", disse o funcionário à Rádio 10.

Membros da oposição têm dito que, com a morte de seu marido, a presidente poderia adotar um estilo de governo mais conciliador com os setores que questionam sua política. Nos últimos anos, o governo argentino tem entrado em confronto com setores como a Igreja, a Suprema Corte e influentes meios de comunicação.

A peronista Confederação Geral do Trabalho (CGT), com quase sete milhões de trabalhadores aderidos, é o principal apoio que restou a Cristina após a fuga de líderes dissidentes peronistas, que deixaram o partido depois da greve de patronais agrícolas que paralisou o país em 2008.

Reeleição

Questionado sobre a possibilidade de Cristina tentar a reeleição em outubro de 2011, Fernández admitiu que gostaria que isso acontecesse, mas que este não era o momento oportuno para falar de candidaturas.

Outros membros do partido, no entanto, acreditam que a governante devesse assumir o comando do Partido Justicialista (Peronista),que ficou vago após a morte de Kirchner. "Esse espaço político deve ser ocupado por Cristina", disse o líder na Câmara dos Deputados, Agustín Ross, a um canal de TV.

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