Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Saúde

Crescer dói

9 JAN 2011Por Scheila Canto00h:00

Certamente você já presenciou ou ouviu relatos de crianças que acordam no meio da noite queixando-se de dores nas pernas. Será que crescer dói? Nada de dengo ou estratégia para chamar a atenção, essas dores são mesmo reais. O ortopedista pediatra Daniel Carvalho de Figueiredo explica na literatura médica está descrito que nas fases de maior crescimento da criança haja uma desproporção entre o desenvolvimento ósseo e o de músculos e ligamentos, levando à distensão destes e causando dor. Em outros casos são dores resultantes de inflamações em determinadas áreas ósseas por esforço excessivo (como em atividades físicas). Para amenizar as dores, ele recomenda massagem manual, alongamento, toalhas ou compressas de água quente antes de dormir.

Problemas nutricionais e carências de vitaminas, como a D (raquitismo) também podem levar ao crescimento inadequado. Uma criança doente gasta energia para se recuperar da doença, energia que deixa de ser aproveitada em seu crescimento. Distúrbios hormonais (doenças endócrinas), distúrbios metabólicos, doenças neurológicas e processos infecciosos são outros agentes que influenciam negativamente. A boa notícia é que, detectados a tempo, os distúrbios têm cura. Problemas hormonais e alimentares, por exemplo, são tratáveis em sua maioria.

O ortopedista destaca também que dão indícios de que a dor na perna não faz parte do quadro de crescimento quando acompanhada de outros sintomas como febre e rigidez. “Antigamente acreditava-se que essas dores eram oriundas de reumatismo, mas hoje sabemos que são poucos os casos de febre reumática”, exemplifica o especialista.
 
Os picos de crescimento
É ainda nos primeiros meses de gestação que o bebê passa por situações determinantes para o crescimento ao longo da vida. Os especialistas explicam que as boas condições no útero são de extrema importância e, quando encontradas pelo feto, este desenvolve suas potencialidades genéticas de crescimento. Quando a gestante tem maus hábitos como o fumo ou alguma doença, como a diabetes, ele pode chegar ao mundo hipodesenvolvido. É recomendado que é preciso que a mãe faça o pré-natal e tenha um acompanhamento adequado capaz de controlar possíveis problemas que possam afetar o desenvolvimento do bebê. Além disso, deve ter uma dieta equilibrada com suporte suficiente de proteínas e calorias.

O crescimento só cessa aos 14 anos, nas meninas, e aos 16 anos, nos meninos. Existem três fases em que a criança costuma acelerar o desenvolvimento devido a uma maior liberação do hormônio do crescimento. A primeira ocorre por volta dos três e quatro anos, depois se repete aos sete e oito anos e o estirão mesmo ocorre na puberdade. É acrescentado uma fase: no primeiro ano de vida a criança pode crescer até 25 centímetros, o que corresponde a 50% de sua altura de nascimento.

Após o segundo ano, segue-se uma constante com uma média de crescimento de sete centímetros anuais. O crescimento só cessa após uma ano da primeira menstruação das meninas – em média 14 anos. “Porém, se a menarca ocorrer precocemente podemos indicar tratamento hormonal para não prejudicar o crescimento delas”, esclarece o doutor Daniel Figueiredo. “Já os meninos têm sua maturidade hormonal mais tarde, por isso, por algum tempo ficam mais baixos que o sexo oposto, depois vem o estirão e eles geralmente ultrapassam a estatura das meninas e deixam de crescer por volta dos 16 anos”, acrescenta.
Outro fator que pode interferir no crescimento é o consumo de açúcar à noite. “Estudos indicam que a insulina pode bloquear a ação do hormônio do crescimento, que atua durante o sono, sempre na madrugada”.

Portanto, o sono é fator fundamental para quem deseja crescer mais.  Além disso, durante o sono recarregamos nossas reservas energéticas (essenciais para o crescimento). Segundo o especialista, na primeira infância são recomendáveis onze horas de sono e na pré-adolescência, nove horas.

Outro conselho que o ortopedista dá aos pais é que evitem medicar seus filhos com analgésicos, sem a devida orientação médica, pois não há medicamentos sem contra-indicação.

Calculando a altura do pequeno
Baseando-se na estatura dos pais é possível chegar à chamada ‘altura média parental’ – um prognóstico da estatura que a criança poderá alcançar. Ela é calculada da seguinte forma: nos meninos, soma-se a altura da mãe e do pai mais treze e divide-se por dois. Nas meninas, soma-se as alturas dos pais menos treze e divide-se por dois. A margem de erro é de dez centímetros para mais ou para menos. Portanto, se a mulher tem 1,60m e o pai da criança tem 1,80m, seu filho terá entre 1,66m e 1,76m de altura ([160+180+13]/2). Já sua filha deverá ter entre 1,63m e 1,73m ([160+180-13]/2). No entanto, os especialistas têm apontado falhas no método. Eles dizem que o que ocorre é que eles são baseados na população americana e não na brasileira. Para cálculos mais precisos, é preciso analisar a curva de crescimento da criança, o desenvolvimento de suas placas ósseas e a idade óssea.

Os fatores genéticos têm grande influência na altura da criança, mas sozinhos não são determinantes. Fatores neuroendócrinos, ambientais (pré e pós-natais), a alimentação e a prática de exercícios estão envolvidos. Está comprovado que uma criança subnutrida tem baixo desenvolvimento, pois não tem proteína suficiente para formar o osso e o músculo, nem o carboidrato necessário para fornecer a energia necessária para o crescimento. Não significa que, se alimentando melhor, a criança crescerá mais. Deve-se ter em mente que há um potencial genético por trás. O fato é que, se alimentando mal, ela certamente crescerá menos. É ressaltada a importância da atividade física. Está comprovado que, em sua realização, há maior liberação do hormônio do crescimento. “A única ponderação é quanto à ginástica olímpica e musculação. Mas as artes marciais, natação, futebol e dança, são liberados”, finaliza o ortopedista pediatra Daniel Carvalho de Figueiredo.

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