sábado, 21 de julho de 2018

alta

Cotação da soja acumula valorização de 27,7%

15 JAN 2011Por ADRIANA MOLINA00h:00

Motivado pelos preços em disparada, em 2010, Mato Grosso do Sul exportou 75% mais soja que em 2009, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No ano, 24,5% da safra estadual, cerca de 1,3 milhão de toneladas das 5,18 milhões de toneladas produzidas, foram destinadas ao mercado exterior, que apresentou e ainda tem demanda crescente pela commodity.

O volume é maior que o exportado em 2008, quando os preços da soja atingiram recordes históricos, na casa dos R$ 48,50 ao produtor na praça de Dourados, conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Naquele ano, o Estado vendeu pouco mais de 1 milhão de toneladas ao mercado externo.

Atualmente, a cotação do grão, de acordo com o indicador do órgão, é de 45,50. O valor é 27,7% superior aos R$ 35,63 praticados em janeiro de 2010. Segundo o pesquisador responsável pela área de grãos do Cepea, Lucilio Alves, tem colaborado para manter os valores em alta a grande demanda da China pelo grão, que atualmente representa 60% do destino da soja brasileira.

O país, hoje, é o principal importador do Estado, lidera a lista de compradores com 19,8% dos US$ 2,6 bilhões vendidos por MS ao exterior no ano passado. O volume de US$ 517,7 milhões destinados à China em 2010 é 47% superior ao de 2009 e com estimativa de mais incremento em 2011.

"Fora o grande mercado chinês, também há preocupação com questões climáticas na Argentina que, junto com o plantio atrasado, podem impactar na produtividade e produção, favorecendo a demanda pela soja brasileira", comenta Alves.

A Argentina é o terceiro maior produtor mundial de soja, com 50,5 milhões de toneladas – fica atrás apenas dos Estados Unidos (90,6 milhões de toneladas) e Brasil (67,5 milhões de toneladas). Juntos, os três países representam 82% da produção de soja mundial.

 Expectativa
A safra do maior produtor mundial, os Estados Unidos, já foi colhida e os estoques americanos estão baixos. Isso, associado ao consumo mundial aquecido e previsão de quebra na Argentina, pode fazer as cotações da soja no Brasil dispararem nas próximas semanas, atingindo valores próximos ou superiores aos de 2008.

A analista de mercado de grãos Tânia Tozzi acredita que, se não voltar a chover o suficiente para o desenvolvimento da safra até fevereiro, os preços podem atingir a marca dos R$ 50 a saca de 60 quilos ao produtor. "Mas, para isso se confirmar, o dólar não pode cair. Precisamos pelo menos manter a moeda estável, na casa dos R$ 1,70 é o ideal. Abaixo desse valor pode ser preocupante, pois, se os preços caírem em Chicago, não conseguiremos fechar as contas", explica.

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