domingo, 22 de julho de 2018

Corumbá é uma das cidades brasileiras na luta contra o crack, diz pesquisa

17 DEZ 2010Por DIÁRIO ONLINE10h:01

Pesquisa sobre a situação do crack nos municípios brasileiros, realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostrou que Corumbá está entre as cinco cidades de Mato Grosso do Sul que desenvolvem programas de enfrentamento ao crack e outras drogas. No Estado foram pesquisadas 58 cidades. No país, o estudo atingiu 3.950 municípios. Os resultados foram divulgados esta semana. Estimativa feita com base em dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) aponta que o número de usuários hoje no Brasil está em torno de 1,2 milhão e a idade média para início do uso da droga é 13 anos. O levantamento da CNM quer demonstrar a necessidade de se pensar políticas de combate ao crack, droga de alto poder destrutivo ao organismo e que provoca dependência com rapidez.

A psicóloga especialista em dependência química, a gestora do Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas (CAPS ad), Sílvia Freire, explicou a este Diário que Corumbá não apenas tem programa de combate como integra o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas. “Corumbá foi integrada ao plano, pelo Ministério da Saúde, por estar numa área de fronteira onde o acesso [às drogas] é fácil e o preço acessível. Sílvia explicou que pela localização, Corumbá está bastante suscetível ao problema e hoje o status de mero corredor de passagem de droga já é figura ultrapassada. “Infelizmente não somos mais só o corredor, hoje somos município que é conhecido como um dos maiores produtores de pasta base, que costumamos chamar de prima-irmã do crack. Hoje temos um número cada vez maior de jovens; adolescentes e infelizmente de crianças iniciando o uso da pasta base. Não é bonito dizer, mas, em 1999 éramos os maiores consumidores de cerveja per capita no Brasil, hoje podemos estar no ranking de consumo de pasta base também”, disse a gestora do CAPS ad.

Na avaliação da especialista em dependência química, o crack se tornou uma epidemia. “É como se fossem furacões; desastres ecológicos que não podemos controlar e devastam imensas áreas, matando pessoas e deixando outras sem casa. O crack representa exatamente isso. É como se tivesse vindo uma tempestade que não tem controle, como parar. É preocupante, é alarmante. Deve haver campanhas porque não é exagero, é uma situação crítica que estamos vivendo. Tanto crianças, quanto mulheres e homens estão sendo vitimizados. Estamos sofrendo uma epidemia”, afirmou.
Sílvia Freire lembrou que é necessário além do combate ferrenho ao crack alertar sobre as drogas lícitas, que são a cerveja e o tabaco. “Não se pode pensar só nas drogas ilícitas como crack e cocaína, por exemplo. Tem o álcool e o cigarro que são portas de entrada”, comentou.

O CAPS ad

O CAPS ad – com mais de 540 cadastrados – é um centro mantido pela Prefeitura de Corumbá, através da Secretaria Executiva de Saúde Pública. A unidade presta serviço ambulatorial e de atenção psicossocial. A procura pelo tratamento pode ser por livre e espontânea vontade, acompanhada por familiares ou determinação judicial. Oferece tratamento medicamentoso para co-morbidades e outras sequelas, em consequência ao uso abusivo de substâncias psicoativas e álcool. O Centro também desenvolve atividades em oficinas terapêuticas, visando elevar a autoestima e confiança do dependente químico. São promovidas oficinas terapêuticas, atendimento psicoterápico individual, atendimento clínico, atendimento medicamentoso, plantio de ervas medicinais e verduras; além de atendimento aos familiares - individual e grupo e atividades esportivas (ginástica, musculação, futebol de campo, vôlei, tênis de mesa e natação).

Só 12 cidades de MS mantêm unidades do CAPS

O estudo da Confederação Nacional dos Municípios foi realizado em 58 dos 78 municípios de MS, o que representa 74,3% de participação das cidades. Destes, apenas 12 deles (20,9%) possuem unidades do CAPS, com um total de 92 profissionais de saúde atuando, e cinco cidades têm programas de combate ao Crack e outras drogas.

As principais ações desenvolvidas nestes municípios são a prevenção ao uso e consumo de drogas, a mobilização e orientação a população e o atendimento a familiares e amigos de dependentes. Somente quatro destas cidades declararam que recebem apoio financeiro dos governos federal ou governo estadual.

Ainda segundo a pesquisa da CNM, mesmo sem ter programa de enfrentamento, 29 Municípios declaram que realizam ações de combate ao crack, como: a mobilização e orientação a população executadas por 27 Municípios; 21 fazem a prevenção ao uso de crack; e em 14 deles há o atendimento a familiares e amigos de usuários e dependentes.

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