Segunda, 18 de Dezembro de 2017

IBGE

Corte de horas extras sinaliza ano fraco

14 JAN 2014Por FOLHA PRESS15h:22

O emprego na indústria, que deve fechar 2013 em terreno negativo, não esboça sinais de recuperação para 2014.

Um dos indícios de que neste início de ano o mercado de trabalho se manterá ruim é a queda do número de horas pagas aos trabalhadores do setor.

Em novembro de 2013, esse indicador, que é visto como um antecedente de futuras contratações, recuou 0,4% frente a outubro. Mais do que "devolveu" o ganho de 0,3% registrado em outubro, quando havia interrompido cinco meses de taxas negativas consecutivas.

As horas pagas são consideradas o principal indicador de tendência do mercado de trabalho industrial porque servem de termômetro para o ritmo de produção das fábricas.

Se os empresários têm de contratar mais horas extras, é um sinal de melhora no nível de atividade e de que nos meses seguintes poderá haver contratação, já que há um limite para ampliar o pagamento de horas a mais destinadas à produção.

O problema é que em todas as bases de comparação as horas pagas registram perda. Na comparação com novembro de 2012, houve queda de 2,2%, sexta taxa negativa consecutiva e a mais intensa desde fevereiro de 2013 (-2,3%).

No índice acumulado de janeiro a novembro de 2013, o total de horas pagas aponta redução de 1,2%. Já no índice acumulado nos últimos 12 meses, a queda ficou em 1,2% o que aponta para uma retração no fechamento de 2013.

Para André Macedo, gerente do IBGE, os dados do emprego na indústria (que ficou estável em novembro e acumula queda de 1,1% de janeiro a novembro de 2013) e de horas pagas "diferem" da tendência de recuperação da produção da indústria, que melhorou especialmente a partir de agosto.

"Há uma predominância de resultados negativos nos últimos meses. Esse comportamento de queda do mercado de trabalho difere da recuperação mais recente da produção", diz.

Rendimento

Em novembro de 2013, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria, indicador do rendimento do setor, avançou 2,6% frente a outubro, recuperando-se do recuo de 0,8% observado naquele mês.

Em relação a novembro de 2012, houve, porém, queda de 3,7%, primeiro resultado negativo desde dezembro de 2009 (-4,3%).

Segundo o IBGE, a elevada base de comparação resultou numa retração dessa magnitude, já que em novembro de 2012 o valor da folha de pagamento real cresceu 10,5%, num ritmo pouco comum.

De janeiro a novembro, a renda na indústria teve expansão de 1,7%. A taxa anualizada (índice acumulado nos últimos 12 meses) apresentou crescimento de 2,4% em novembro de 2013.

Os dados mostram que o rendimento está em processo de desaceleração, uma vez que o desempenho é mais modesto do que o registrado nos meses de setembro (3,8%) e outubro (3,7%).

Ainda assim, a renda, ao contrário do emprego, a renda no setor fabril tende a fechar 2013 com crescimento.
 

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