Política

ELEIÇÕES 2012

Atrás de pesquisa, juíza manda PF invadir o CORREIO DO ESTADO

Atrás de pesquisa, juíza manda PF invadir o CORREIO DO ESTADO

MONTEZUMA CRUZ

31/08/2012 - 03h00
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Agentes da Polícia Federal invadiram o jornal Correio do Estado, anteontem à noite, para impedir a distribuição da edição de quinta-feira (30) por determinação da juíza da 36ª Zona Eleitoral, Elisabeth Rosa Baisch, caso estivesse programada a publicação pesquisa de intenções de voto.

Três oficiais de Justiça chegaram à sede do jornal, na Avenida Calógeras nº 356, às 19h40, fora do expediente. A referida pesquisa não seria publicada por ser inexistente. A amostragem ficou pronta somente ontem.

Com duas medidas liminares concedidas pela juíza, eles obrigaram o editor-executivo do Correio do Estado, jornalista Ico Victório, a assiná-las sob coação. As medidas proibiam a divulgação de pesquisa do Ipems de intenções de voto para prefeito de Campo Grande. A juíza Elisabeth Baisch acolheu pedido nesse sentido, assinado pelos candidatos Reinaldo Azambuja (Coligação Novo Tempo) e Alcides Bernal (Coligação Força da Gente).

Invasão 

Concluída a edição da capa do jornal, Victório foi para casa e minutos depois recebeu ligação do funcionário Valdenor Vieira Magalhães, informando ter sido surpreendido com agentes da PF obrigando-o a mostrar todas as páginas do jornal nos computadores e deles ouvido que iriam também à gráfica “para constatar de fato o publicado”.

“Estamos com um mandado da juíza eleitoral e temos ordens para ver as matrizes (?)”, disse um dos agentes da PF, que desembarcou de uma Mitsubishi preta, juntamente com outro agente e um oficial da Justiça Eleitoral. No entanto, não apresentou qualquer documento para invadir o jornal e a gráfica. “Ao todo eles viram 18 páginas do jornal de hoje (ontem)”, disse Magalhães.

“Isso é agressão à liberdade de imprensa e violação ao jornal”, afirmou o diretor do Correio do Estado, ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues. Ele informou que o jornal ingressará com representação contra a juíza Elisabeth Rosa Baish, da 36ª Zona Eleitoral.

Antonio João ainda espera que a Polícia Federal promova sindicância para apurar essa operação. 

O advogado do jornal, Laércio Arruda Guilhen, ingressou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MS) com agravo de instrumento para obter o juízo de retratação e a revogação da liminar 

Leia cobertura completa no jornal CORREIO DO ESTADO

Assembleia legislativa

Bancada petista será a maior dos últimos 15 anos em MS

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT farão oposição no Legislativo em 2027

06/10/2026 16h15

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT serão oposição no legislativo

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT serão oposição no legislativo Fotos: Reprodução / Redes Sociais e Marcelo Victor (Correio do Estado)

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Com a eleição de Zeca do PT, Tiago Botelho, Gleice Jane e Pedro Kemp, a ala petista será a maior dos últimos 15 anos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 2027. Atualmente o partido conta com três cadeiras, ocupadas justamente por Kemp, Zeca do PT e Gleice Jane. 

Se por um lado as urnas confirmaram a predileção do sul-mato-grossense por Flávio Bolsonaro (PL), preferido em 73 das 79 cidades do Estado no último domingo, por outro, trouxeram alento aos petistas, que ocuparão quatro cadeiras no legislativo estadual no próximo ano. 

A última vez que o partido de esquerda fez uma oposição tão numerosa na Assembleia Legislativa foi em 2012, com cinco nomes. Na ocasião, Cabo Almi, Laerte Tetila, Paulo Duarte e Pedro Kemp foram os escolhidos pelo voto popular. Além dos quatro, Amarildo Cruz, então suplente, assumiu a vaga deixada por Alcides Bernal, que se licenciou para disputar e vencer a corrida pela prefeitura da Capital. 

Em outras ocasiões, a bancada petista também foi bastante expressiva. Entre 1999 e 2023, Laerte Tetila, Anilson Prego, Pedro Teruel e Pedro Kemp exerceram mandato. Entre 2007 e 2011, Amarildo Cruz, Paulo Duarte, Pedro Kemp e Pedro Teruel foram os escolhidos. 

Oposição forte

Questionada sobre a ampliação da bancada, Gleice Jane, reconduzida ao cargo pela primeira vez através do voto popular (em 2023, assumiu em razão da morte do deputado Amarildo Cruz) falou sobre a importância de manter a representatividade para diversas minorias que acreditaram no projeto do partido.

"Ser reconduzida para mais quatro anos de mandato aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Chegamos ao primeiro mandato em um momento de muitos desafios e também de muito aprendizado, conhecendo o Parlamento e, principalmente, aprofundando nosso conhecimento sobre as diferentes realidades de Mato Grosso do Sul, agora voltamos com mais experiência, com um diagnóstico mais claro das demandas do Estado e com condições de aprofundar as lutas que já iniciamos", declarou a deputada, eleita com 29.844 votos. 

Segundo Gleice Jane, o salto do partido é uma oportunidade para que a sigla siga firme na defesa de pautas importantes como a educação.

"A ampliação da bancada fortalece nossa atuação, a capacidade de fazer um debate político conectado com a vida das pessoas. Seguiremos firmes na defesa da educação, da saúde pública, do meio ambiente, das mulheres, dos servidores e servidoras públicas, dos trabalhadores e trabalhadoras e dos movimentos sociais que constroem conosco esse mandato", destacou ao Correio do Estado. 

Ex-superintendente de patrimônio da União (SPU) em Mato Grosso do Sul, Tiago Botelho estreia no legislativo estadual no próximo ano. Segundo mais votado entre os eleitos petistas (39.387 votos), destacou a importância de levar à Assembleia a representatividade de ser o primeiro deputado assumidamente gay do Estado, além de lutar pela reforma agrária, saúde e povos originários.  

"Mais importante de tudo é termos, pela primeira vez na história do Mato Grosso do Sul, um deputado estadual assumidamente LGBT. Essa representatividade é muito importante, ainda mais considerando as diversas candidaturas problemáticas que foram eleitas ao redor do país. A Assembleia terá um professor para lutar pela educação, pela UEMS, pelos povos originários, pela saúde e pela reforma agrária", frisou o professor e advogado. 

Além de Tiago Botelho e Gleice Jane, Pedro Kemp (28.397 votos) e Zeca do PT (42.714 votos) darão sequência aos respectivos mandatos. 

Votações expressivas

Próximo do presidente Lula, Zeca foi o mais votado entre os petistas. Há 12 anos, recebeu 160.556 votos na disputa para deputado federal, recorde ligeiramente superior aos números de Camila Jara, que conquistou 154.157 votos no último domingo (4).

Em um dado comparativo, a petista recebeu 14 mil votos a mai do que Marcos Pollon (PL), votado por 140 mil eleitores. 

Derrotado na disputa pelo Governo do Estado, Fábio Trad teve 322.807 votos, e destacou a importância dos números, frisando o crescimento da sigla em MS. Com exclusividade ao Correio do Estado, Trad falou sobre a campanha. 

Segundo ele, seu grupo enfrentou uma estrutura política e econômica muito superior, formada por diferentes segmentos da classe política estadual, administrações municipais e setores empresariais.

“Considerando que nós tivemos mais de 300 mil votos num contexto francamente desfavorável a nós, porque eu e a dona Gilda, sozinhos, enfrentamos as forças políticas mais poderosas do Estado”, afirmou.

Trad citou, entre os grupos que, segundo ele, atuaram em favor da candidatura adversária, setores do agronegócio e da indústria, além de deputados estaduais, vereadores e prefeitos.

Para o candidato derrotado, conseguir uma votação superior a 300 mil votos diante desse cenário demonstra que existe uma parcela expressiva do eleitorado disposta a apoiar uma alternativa política no Estado.

“Evidentemente que eu e ela, sozinhos, tendo 300 mil votos, quase que 25%, nesse universo de hostilidade francamente contrário ao nosso projeto, eu penso que nós tivemos uma grande vitória política em Mato Grosso do Sul”, disse.

Trad voltou a citar a esposa durante a entrevista e afirmou que ambos participaram diretamente da campanha com apoio da militância e de grupos que, segundo ele, se opõem ao atual modelo político estadual.

Ilhas petistas

Expressivamente mais votado entre os sul-mato-grossenses, Flávio Bolsonaro conquistou 873.351 votos (58,60%) enquanto Lula foi representado por 516.855 votos (34,68%) do eleitorado. O petista foi o 'eleito' apenas para os moradores de seis cidades: Dois Irmãos do Buriti, Japorã, Miranda, Vicentina, Paranhos e Tacuru. 

Dois Irmãos do Buriti

  • Lula: 56,40% – 3.579 votos
  • Flávio: 39,54% – 2.509 votos

Japorã

  • Lula: 67,26% – 3.273 votos
  • Flávio: 29,84% – 1.452 votos

Miranda

  • Lula: 54% – 7.626 votos
  • Flávio: 42,04% – 5.937 votos

Vicentina

  • Lula: 47,86% – 2.237 votos
  • Flávio: 46,30% – 2.164 votos

Paranhos

  • Lula: 53,65% – 3.192 votos
  • Flávio: 43,70% – 2.600 votos

Tacuru

  • Lula: 57,82% – 2.596 votos
  • Flávio: 37,75% – 1.695 votos

*Saiba

Procurado pela reportagem, Zeca do PT não quis se pronunciar, enquanto Pedro Kemp não retornou contato. O espaço segue aberto. 

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SEGUNDO TURNO

Vander diz que Lula mira eleitores que não votaram para reverter resultado

Presidente do PT-MS participou de reunião em Brasília e afirma que campanha vai reforçar mobilização para reduzir abstenção e ampliar votação

06/10/2026 15h01

O deputado federal Vander Loubet, presidente do PT no Estado, durante encontro com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília (DF)

O deputado federal Vander Loubet, presidente do PT no Estado, durante encontro com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília (DF) Divulgação

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O deputado federal Vander Loubet, presidente do PT em Mato Grosso do Sul, afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá como prioridade conquistar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

O parlamentar participou, nesta segunda-feira (5), em Brasília, de uma reunião com Lula e aliados para definir as estratégias para a segunda etapa da disputa presidencial.

Segundo Vander, a abstenção em Mato Grosso do Sul recebeu atenção durante o encontro. Mais de 483 mil eleitores deixaram de votar no Estado, número equivalente a quase 24% do eleitorado.

“No Mato Grosso do Sul, tivemos a maior taxa de abstenção do país. Mais de 483 mil eleitores não compareceram às urnas no nosso estado, quase 24%. O presidente Lula cobrou que a gente faça um trabalho sobre esse público”, informou o parlamentar.

A mobilização de quem não votou também deve orientar a campanha nos estados do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais. No Nordeste, onde Lula obteve vantagem no primeiro turno, a intenção é ampliar os percentuais alcançados. Já no Centro-Oeste, a meta é recuperar espaço.

“No Ceará, por exemplo, o Lula fez 63% e a meta é chegar a 70%. No caso do Piauí, a meta é aumentar de 71% para 80%. Aqui no Centro-Oeste, o foco é recuperar terreno e chegar aos 40% que tivemos na eleição passada”, pontuou Vander.

O planejamento inclui reforçar a mobilização da militância petista e intensificar a presença nas redes sociais. Conforme o deputado, a campanha também pretende concentrar críticas nos efeitos que atribui a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), sobretudo sobre programas sociais e investimentos nos municípios.

“Vamos mostrar o impacto negativo que a vitória do Flávio vai ter, principalmente para os programas sociais e para os municípios que foram contemplados com obras de saúde, educação e infraestrutura do Novo PAC”, declarou.

Vander afirmou que a equipe do adversário pretende reduzir investimentos e associou essa possibilidade ao risco de interrupção de obras públicas.

“O plano da equipe do Flávio é fazer um tesouraço nos investimentos e isso significa não só uma redução das políticas sociais como também a paralisação ou cancelamento de obras importantes, como escolas de tempo integral, creches, unidades básicas de saúde, entre outras”, alertou o deputado.

Além de Vander, participaram da reunião, por Mato Grosso do Sul, o candidato ao governo Fábio Trad (PT), a senadora Soraya Thronicke (PSB) e a deputada federal Camila Jara (PT).

O encontro reuniu ainda os governadores Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Lucas Ribeiro (PP-PB) e Rafael Fonteles (PT-PI), além dos senadores eleitos ou reeleitos Rui Costa (PT-BA), Jaques Wagner (PT-BA), João Azevêdo (PSB-PB), Rogério Carvalho (PT-SE), Marcelo Castro (MDB-PI), Marília Campos (PT-MG) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

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