Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Campo Grande - MS, segunda, 10 de dezembro de 2018

CIDADES

Corregedora defende juiz de acusações

13 MAI 2011Por Vânya Santos / Michelle Rossi 16h:38

Cidades

ESCUTAS E IMAGENS
Desembargadora Suzana Camargo, do TRF 3, disse que não houve irregularidade nas escutas gravadas no Presídio Federal e na atuação de  Odilon de Oliveira

 

A Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Mato Grosso do Sul/São Paulo) anunciou que não há irregularidade com relação às escutas gravadas no Presídio Federal de Campo Grande e na atuação do juiz federal Odilon de Oliveira. Durante entrevista coletiva, na manhã de ontem, a desembargadora e corregedora Suzana Camargo garantiu que as acusações contra o magistrado não passam de um desserviço prestado à sociedade, com o objetivo de macular a imagem da instituição.


A corregedora explicou que o conteúdo de uma carta aberta à população acusou o juiz Odilon de tentar extorquir 1,5 milhão (não se sabe se de dólares ou de reais) do traficante colombiano Juan Carlos Abadia para evitar sua extradição. “A acusação é tão leviana que quem determina a extradição não é o juiz, e sim o Supremo Tribunal Federal (STF). Os processos contra Abadia tramitavam em São Paulo e era competência de outro magistrado. Então, falta sintonia e quem é leigo pode ter a falsa impressão, mas essa possibilidade não existe”, ressaltou.


Ainda conforme a desembargadora, o preso que teria ouvido a confissão de Abadia foi interpelado e, em duas ocasiões, negou a versão em juízo. “Esse senhor, que estava em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), negou e disse que agentes o tiraram da cela e o doparam. Nós levantamos e confirmamos que ele foi atendido por equipe médica, que constatou elevado nível de adormecimento”, frisou Suzana Camargo.

Intimidação


“É claro que quem atua da forma como o juiz Odilon arruma desafetos, que começam a buscar formas de intimidação, como ameaça de morte, de sequestro, integridade física e ataques levianos e inescrupulosos”, ressaltou a corregedora.
Para ela, a acusação é uma maneira de tentar diminuir a Justiça para que a população não acredite mais em sua atuação. “Chegaram ao ponto de dizer que havia uma quadrilha de juízes, promotores e policiais. Estão procurando atingir a instituição para se eximir de problemas que estão sendo apurados”, justificou, referindo-se ao procedimento que resultou na exoneração de quatro agentes penitenciários federais.

Entenda o caso


O escândalo estourou em 2008, mas a demissão dos agentes penitenciários federais Valdemir Ribeiro Albuquerque, José Francisco de Matos, Ivanilton Morais Mota e Yuri Mattos Carvalho, no dia 6 deste mês, retomou a discussão. Na decisão do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo consta que Valdemir, José e Ivanilton foram penalizados por retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, documen­­to ou objeto da repartição e revelar segredo do qual se apropriou em razão do cargo. Já o agente Yuri foi punido apenas por revelar segredo.
Após a demissão, uma carta contendo denúncia passou a circular na internet e órgãos públicos. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Tribunal Regional Federal (TRF) absolveram o juiz Odilon da acusação de permitir as escutas ilegais no presídio.

Autor de supostas denúncias foi “dopado“

O jornal Correio do Estado teve acesso a documentos que indicam o diagnóstico de intoxicação e lavagem estomacal no preso José Reinaldo Girotti, que esteve custodiado no Presídio Federal de Campo Grande e é citado pelos agentes penitenciários federais demitidos como a pessoa que teria revelado a suposta extorsão praticada pelo juiz federal Odilon de Oliveira contra o traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, também detido por uma temporada no Presídio da Capital. Segundo a versão dos agentes, o juiz queria dinheiro para contribuir com a extradição do traficante para os Estados Unidos – fato ocorrido em 2008.


Na versão dos agentes, ele teria escrito uma carta citando a tentativa de extorsão, mas o texto nunca foi exibido. Segundo os documentos analisados pela reportagem, o preso foi encontrado desmaiado em sua cela, em agosto de 2008 – à época ele estava no Presídio Federal de Campo Grande – e foi encaminhado ao Posto de Saúde do Coophavilla II, de acordo com “Relatório de Plantão” do presídio do dia 14. Lá, foi submetido a lavagem estomacal por conta de intoxicação, que, segundo o próprio preso, deixou-o “bastante sonolento por dias”.


Outro documento trata de interpelação judicial feita ao preso José Reinaldo Girotti, em outubro de 2010, pedindo detalhes sobre a suposta extorsão que teria sido praticada pelo juiz contra Abadia. Em resposta, o preso, atualmente no Presídio de Segurança Máxima de Presidente Venceslau, informou que “nunca disse a nenhum agente penitenciário federal ter ouvido de Abadia que juízes federais exigiram, ou dele receberam, alguma quantia em dinheiro para facilitar sua extradição”.  


Mas confirmou a história de que ficou “dopado” por cerca de três dias e, durante esse período, “fez anotações acerca do assunto (extorsão), só que não se lembra do conteúdo”. Disse, ainda, em resposta à interpelação judicial, que vários agentes penitenciários (mais de três) o fizeram beber um refrigerante, possivelmente com algum tipo de medicamento, antes de ele ter adormecido. Também citou que esses mesmos agentes teriam pedido para ele acusar o juiz Odilon de Oliveira de extorsão, mas não citou nomes, pois disse não saber.
Para a subprocuradora geral da República e corregedora -geral do Ministério Público Federal, Ela Wecko de Castilho, em despacho sobre o caso, o episódio “trata-se de uma vingança arquitetada pelos agentes penitenciários federais contra o juiz federal, que requisitou a instauração de inquérito policial e administrativo contra os mesmos” (MR)

Agentes demitidos provocam tumulto

Tensão, nervosismo e muitas discussões tumultuaram a entrevista coletiva concedida  pela corregedora Suzana Camargo. Apesar de o encontro ter sido marcado para que a corregedora explicasse sobre denúncia envolvendo o juiz federal Odilon de Oliveira em  suposta extorsão e gravações ilegais feitas na Penitenciária Federal de Campo Grande, a coletiva resultou em confusão e pode ser transformada em alvo de investigação da Polícia Federal para apurar crimes de calúnia, difamação e injúria.


Durante vários momentos, a desembagadora teve a fala interrompida por ex-agentes penitenciários que se dizem injustiçados pela decisão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que desligou os profissionais do serviço público no último dia 6. Foram demitidos os agentes Valdemir Ribeiro Albuquerque, José Francisco de Matos, Ivanilton Morais Mota e Yuri Mattos Carvalho. Para os ex-servidores, o processo ainda pode resultar na exoneração de outros funcionários públicos. (VS)

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também