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Copom decide elevar juros em 0,75 ponto porcentual

29 ABR 10 - 06h:48
SÃO PAULO

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou ontem à noite, o aumento da taxa básica de juros em 0,75 ponto porcentual, para 9,5% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade, em reunião que durou mais de três horas. Foi a primeira alta desde setembro de 2008, quando o comitê decidiu aumentar a Selic de 13% para 13,75% ao ano.
Segundo o comunicado divulgado ontem pelo Copom, a medida deve “assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas”. A taxa estava em 8,75% desde julho do ano passado. Nesse período, houve seis reuniões do Copom. A desta quarta-feira e quinta-feira foi a sétima.
Após quase 10 meses sem alterar a Selic e 19 meses sem um aperto monetário, o BC dá início a um novo ciclo de alta nos juros. A aposta mais forte do mercado era de aumento de 0,75 ponto porcentual, considerando a movimentação no mercado de juros. Uma alta de 0,50 ponto porcentual, no entanto, também era considerada.
O último aumento da Selic ocorreu em setembro de 2008, poucos dias antes do anúncio de concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, que deu início à fase mais aguda da crise financeira internacional – que espalhou a recessão pelo planeta. Desde então, os juros haviam ficado estáveis, ou recuado para tentar conter os efeitos da crise no crescimento do país.
A Selic iniciou 2009 em 13,75%, sendo reduzida para 12,75% já na primeira reunião do Copom no ano, em janeiro. Em março, caiu para 11,25% ao ano, com nova redução em abril para 10,25%.
Em junho do ano passado houve novo corte de 1 ponto porcentual para 9,25% ao ano e em julho o comitê reduziu o ritmo, com uma queda de 0,5 ponto porcentual para 8,75% ao ano, percentual que foi mantido até esta quarta.
A ata da reunião será divulgada na quinta-feira da semana que vem, 6, e o próximo encontro do Copom está agendado para os dias 8 e 9 de junho.

Novo ciclo
A expectativa do mercado financeiro é de que esse seja apenas o início de um ciclo de subida nos juros básicos do país. A previsão dos economistas é de que a taxa continue avançando nos próximos meses, e que atinja o patamar de 11,75% ao ano no fim de 2010.
Segundo levantamento do economista Jason Vieira, da consultoria UpTrend, o Brasil é o país com a maior taxa de juros reais do mundo, entre as nações com participação relevante na economia global. Em seguida, vêm Indonésia e China. A taxa de juros reais representa a Selic, descontando-se a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Repercussão
Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o BC agiu pressionado pelo mercado financeiro. “A pressão que vem sendo exercida sobre o Banco Central (BC), por parte dos interessados no aumento da taxa Selic, atingiu níveis ainda não conhecidos na sua atual gestão”, informou a instituição, em nota. “Até a competência e a autonomia dessa respeitada instituição correm o risco de ser colocadas em dúvida “
A entidade avaliou que não houve surpresa no aumento de 0,75 ponto porcentual, pois na ata da reunião anterior o Copom já constava a unânime “necessidade” de elevar a taxa básica de juros na reunião marcada para hoje (28). “E a promessa foi cumprida. A partir daí, pouca dúvida resta para a ação de um BC acuado, refém de certos setores do mercado e cada vez mais distante dos interesses maiores da sociedade e do País.”
Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a elevação dos juros era desnecessária. “Existe capacidade instalada na indústria para atender à demanda sem que aconteça pressão sobre os preços”, alegou. “Lamentamos, profundamente, que a produção, o crescimento e o emprego, mais uma vez, sejam os perdedores”.

Conter a inflação
Os juros são usados como política monetária pelo Governo para conter a inflação. Com juros altos, as prestações ficam mais caras e as pessoas compram menos, o que restringe o aumento dos preços.
Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros, que procuram o País.
Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais cuidadosas para tomar empréstimos e fazer expansões. Por causa disso, o emprego também não cresce tanto. É em razão desse efeito que os empresários reclamam dos juros altos.
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