Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

Compras coletivas

Consumo com lei e sem risco ao cliente

15 MAI 2011Por O DIA 17h:00

Com mais de 1.200 sites de compras coletivas no País, segundo a e-bit, empresa de pesquisa na área, boa parte dos brasileiros não resiste à oportunidade de obter produtos e serviços mais baratos sem sair de casa. Mas o uso dessa recente modalidade de consumo — “uma febre”, nas palavras dos especialistas — requer critério na escolha dos sites e acarreta outra implicação: o risco de descontrole financeiro, devido ao apelo das infinitas promoções e descontos em ofertas. A boa nova é que o nível de satisfação do cliente melhorou razoavelmente e em pouco tempo, devido a aperfeiçoamento do sistema detectado pelo próprio Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

As regras legais a que intermediários (sites) e empresas que oferecem as promoções estão sujeitos são as mesmas impostas às lojas online — algumas, extensões de grandes grupos varejistas. A diferença é que, nessa transação comercial, companhias e sites são responsáveis pela reparação de danos ao consumidor.

“No começo, havia poucas informações. A procura era tão grande, que causava dificuldades de acesso. Mas isso melhorou. O sistema foi aperfeiçoado”, afirma Mariana Ferreira Alves, advogada do Idec. Ela explica que, apesar de virtual, a transação não dispensa o velho papel: “O ideal é imprimir todos os comprovantes, dos que descrevem o produto, a oferta e o desconto ao do fechamento da compra”.

Silvia Alambert, educadora financeira da The MoneyCamp no Brasil, aponta para o risco ao bolso. “Quem se planeja não precisa fazer uso desses sites. Tem gente que compra tanto que perde datas de validade dos descontos”, observa. Ela afirma que a modalidade pode induzir a falsas necessidades. Se vira um vício, pode até levar ao endividamento.

Cliente assídua de lojas virtuais, Carolina Gomes consome de promoções em restaurantes, passando por serviços de revelação a sessões de estética. “Mas prefiro os mais conhecidos para não cair em golpe. Mesmo com cuidados, o consumidor ainda enfrenta problemas”, diz.

De 5 para 600 trabalhadores

Além de revolucionar a forma de consumir, os sites de compras coletivas, com expansão súbita e recente no Brasil, também criaram novo campo de trabalho. De cinco profissionais em março do ano passado, o Peixe Urbano, o primeiro da modalidade na América Latina, tem hoje 600 trabalhadores — 50 na Argentina e o restante no Brasil, onde fica a sede da empresa. E há projeções para novas contratações, anuncia Leticia Leite, diretora de Comunicação.

Tatiana Moura, 24 anos, trabalhava em call center quando foi indicada por amiga para a empresa. “Gosto de falar, de lidar com pessoas. É um trabalho que tem a ver comigo. E o bacana é que oferecem oportunidades para os funcionários crescerem. Há muitos setores aqui”, conta a jovem, que também se revela usuária do site de compras coletivas. Para se candidatar a uma das vagas nessas empresas, basta procurar links de contratação.

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