Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

CONSTRUÇÃO CIVIL

Construtora “caça” 2,5 mil operários e só encontra 50

30 SET 2010Por 13h:44

Carlos Henrique Braga

A construtora Camargo Corrêa veio buscar, em Campo Grande, cerca de 2,5 mil homens que precisa para a obra da usina hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO). No entanto, como o mercado sul-mato-grossense tem um déficit estimado de 10 mil operários, apenas 50 dos 120 interessados, que foram ontem à Fundação Estadual do Trabalho (Funtrab), preenchiam os requisitos para as vagas. Do total, 58% foi excluído por não atender os critérios: ter a 4ª série do ensino fundamental, carteira de vacinação em dia e seis meses de experiência comprovada.
Os selecionados estão dispostos a viajar 2,5 mil quilômetros até o Norte do País para fugir do desemprego.
São mil vagas para armador e centenas para pedreiro, ajudante, motorista, entre outras funções. Os salários são compatíveis com os oferecidos em Mato Grosso do Sul, que já enfrenta falta profissionais qualificados na construção civil. Se trabalhar oito horas, de segunda a sábado, um armador, por exemplo, vai faturar R$ 925 por mês.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Campo Grande (Sintracon), Samuel Freitas, acha pouco, mesmo com horas extras e benefícios, que incluem passagens de ônibus a cada cinco meses para ver a família.
Sem sair da Capital, um armador pode ter renda superior a R$ 2 mil, com horas extras. “Eu sou contra (a retirada de operários do Estado) porque já temos falta de trabalhadores e não sabemos como será a situação de trabalho deles lá”, afirma Freitas.

Motivos
Com a senha e sacola de documentos nas mãos, Marcelo Neves, 21 anos, esperava a entrevista para a vaga de auxiliar de pedreiro. Por desavenças familiares, ele quer ir embora do Estado. “Eu chego em casa desmotivado quando não consigo nada, e ela (mãe) fica brava”, conta o ex-auxiliar de produção de frigorífico. Sua meta é alcançar pelo menos três salários mínimos (R$ 1,5 mil), mas a construtora pagará R$ 775, nas suas contas.
O autônomo Rufino Sampaio, 59, concorre à vaga de motorista. Já que os planos de abrir empresa de representação comercial naufragaram por falta de dinheiro, vai tentar a sorte em Rondônia. Prestes a se aposentar, ele não acredita que a idade trará problemas na hora da seleção. “Eu me sinto inteiro”, garante.
Os selecionados vão ficar 10 dias em Rondônia para exame admissional. A construtora recruta profissionais em todo o Brasil para a obra.

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