Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

AGROINDÚSTRIA

Construção e novos investimentos livram municípios de crise

21 SET 2010Por 08h:07

ADRIANA MOLINA

Apesar de os frigoríficos continuarem fechados, sem contratar 5,4 mil trabalhadores demitidos, novos investimentos e o “boom” da construção civil está tirando os municípios da crise da carne. Além de gerar empregos, os novos empreendimentos estão até recuperando as finanças públicas municipais.
Em nova Andradina, onde o frigorífico Independência instalou a maior das três unidades no Estado  e chegou a demitir 1,3 mil funcionários, a unidade recontratou 300 para retomar os abates. Outras 100 foram realocadas em um outro abatedouro, o Frigobrás. “Tivemos ainda a expansão da Usina Energética Santa Luzia e do setor da construção civil, que acabaram por absorver a mão de obra e o impacto econômico deixado pelo Independência”, conta o secretário de Desenvolvimento Integrado do município, Fábio Maurício Selhorst.
Em Anastácio, o Independência deixou de empregar mais de mil trabalhadores. Apenas a arrecadação com Imposto sobre Serviços (ISS) foi reduzida em R$ 40 mil por mês, conforme a prefeitura – valor repassado por conta somente dos serviços de transporte do frigorífico. Segundo o prefeito de Anastácio, Claudio Valério, o serviço público pôde absorver boa parte dos trabalhadores. “Tivemos também muitas obras que contrataram, tanto públicas, como a da BR-262, como privadas, de empreiteiras que vieram em busca de mão de obra”, diz.
Em Amambai, o Grupo Torlim extinguiu 400 vagas quando fechou as portas de sua unidade abatedora, deixando de liberar R$ 165 mil por mês em salários. O secretário municipal de Indústria e Comércio, José Aguiar, conta que a crise deixou a economia muito debilitada, que após o término do pagamento do seguro-desemprego aos trabalhadores, muitos saíram da cidade em busca de mercado.
Porém, o “boom” no setor da construção civil no último ano fez com que o município se recuperasse de forma acelerada. “Hoje acredito que a construção civil injete pelo menos R$ 250 mil por mês aqui, porque, embora muitas empresas contratem para obras fora do município, as empreitadas são pequenas, de 15 a 20 dias. Então, os trabalhadores não se mudam, continuam com suas famílias em Amambai – trabalham fora, mas gastam aqui”, explica.

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