Terça, 12 de Dezembro de 2017

EDUCAÇÃO

Construção de robôs, a tecnologia para auxiliar na aprendizagem

15 FEV 2014Por EDUARDO FREGATTO15h:30

   Alunos têm orientação de como estabelecer a criação e a programação de robôs (Fotos: Paulo Ribas)

Nas salas de aula, o quadro negro se aposenta e dá lugar ao projetor multimídia. Acompanhando a evolução digital, cada vez mais, a tecnologia se faz presente no ensino e na pedagogia escolar, do Jardim ao Ensino Médio.

Mas os aparelhos tecnológicos não se limitam a representar o suporte de intermédio entre conhecimento e aluno. A tecnologia pode fazer muito mais em prol do conhecimento.

Na verdade, há dez anos, a Escola Paulo Freire, em Campo Grande, desenvolve a capacidade de trabalho em equipe e de desenvolvimento de raciocínio lógico dos estudantes, por meio de aulas de Robótica, com criação e programação de robôs ou autômatos.

Pode soar surreal, mas, desde 2004, os robôs fazem parte da rotina na instituição de ensino.

Desafios

As aulas de Robótica são semanais, em dois tempos. A disciplina faz parte da grade curricular de alunos do sexto ao nono ano.

O tema, curioso, desperta interesse em toda a escola. “Temos aulas extras na sexta-feira, abertas para alunos de outros anos”, afirma Bernardete Maria Andreazza Gregio, coordenadora dos projetos tecnológicos da Paulo Freire.

A doutora em Educação explica que os estudantes são divididos em quartetos. O professor, então, desafia os alunos. “Na última aula, o professor pediu para criarem o funcionamento do coração humano”, comenta.

Além de ensinar Robótica, a matéria é multidisciplinar. “Tem matemática, ciências, física, acaba integrando tudo” confirma Bernardete.

A partir das peças disponíveis, os estudantes montam o robô e, depois, precisam programá-lo no computador. A tarefa nem sempre é fácil, e causa muito debate. “Eles tentam, erram; então, reúnem-se para discutir qual foi o erro, e tentam de novo. É mão na massa”, comenta a coordenadora.

Aprendizado

A Robótica não é voltada apenas para os que desejam seguir carreira relacionada ao tema. “Não é uma meta para quem deseja cursar engenharia mecatrônica, por exemplo”, argumenta Bernardete. “Esse aprendizado facilita qualquer coisa, até para resolver um problema particular”, diz, referindo-se à constante reflexão e ao debate para solucionar os imprevistos.

Os benefícios surgem justamente nas dificuldades. “É a busca de alternativas e construção do conhecimento”.

As atividades na Escola Paulo Freire são realizadas por meio da Zoom, empresa especializada no ensino de Robótica.

Daniel Tiepo (foto ao lado), coordenador educacional que orienta as aulas na escola da Capital, explica que a pedagogia de ensino da Robótica segue a metologia dos quatro pilares da educação.

“Aprender a fazer, aprender a ser, aprender a pensar e aprender a conviver”, cita.

As aulas ainda fazem refletir sobre soluções para o cotidiano. “Como usar a Robótica para melhorar e criar sistemas que facilitem a nossa vida”, descreve Daniel, que recorda exemplos do dia a dia que surgiram desse mesmo questionamento, como as portas e iluminação automáticas.

O aluno que recebe as aulas pode, ainda, preparar-se melhor para o futuro, mais especificamente, para o mercado de trabalho. “Com certeza, ele sai preparado para um mercado que visa a colaboratividade”.

Daniel garante que não é necessário ser um pequeno gênio da física para se dar bem nas aulas sobre robôs. “Eu sou formado e especializado na área de deficiência intelectual, e acredito que uma criança que tenha dificuldade de aprendizado pode e deve realizar trabalhos do tipo”.

Torneios

Dois alunos de Campo Grande já se destacaram em campeonatos de robótica.
Giovana, no oitavo ano, e Renan, do terceiro ano do Ensino Médio, alcançaram a primeira colocação, em diferentes categorias, da Olimpíada Brasileira de Robótica, ano passado.
De acordo com Daniel, ainda é possível melhorar mais o nível dos alunos. “Nosso objetivo é tornar as equipes menos amadoras e mais profissionais.”

O coordenador se prepara para a etapa nacional do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), que acontece nos dias 21, 22 e 23 deste mês, no Distrito Federal.
Daniel espera estar com a equipe de Campo Grande preparada para o segundo semestre do ano, quando acontece a segunda etapa do torneio.

“É a única equipe de robótica da cidade e do Estado”, destaca. “Em média, é preciso de 6 a 8 meses para estar preparado para um campeonato nacional”, define. 

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