Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

CAMPO GRANDE

Construção civil e vestuário tem mais de 6 mil vagas

26 MAR 2011Por ROSANA SIQUEIRA22h:35

A demanda por alguns tipos de profissionais é tão grande em Campo Grande que se a pessoa gritar na rua que é pedreiro, costureira ou chapeiro, está empregada.

Exageros à parte, a realidade é que realmente estes três profissionais tem emprego quase garantido no mercado de trabalho local. Para se ter uma ideia, atualmente o setor da construção necessita de nada menos que 5 mil trabalhadores para dar conta das obras espalhadas pela cidade. Mais à frente, na indústria do vestuário a necessidade com urgência é de pelo menos 1.800 trabalhadores.

Mas não pense que para garantir uma remuneração fixa no final do mês basta somente pegar a carteira de trabalho e sair correndo para preencher as vagas. É preciso qualificação, e muita. Este requisito, ou melhor a falta dele, é o maior problema enfrentado hoje nas indústrias da Capital. Segundo os empresários, a capacitação ainda precisa avançar muito no Estado.

Esta realidade lentamente está mudando com inovações como as do programa Indústria Ativa, da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). O novo formato do programa leva os serviços do Sesi e Senai diretamente às comunidades para qualificar a mão-de-obra com base nas demandas levantadas por pesquisas, além de oferecer atendimento médico-odontológico e consultoria do Sebrae/MS aos pequenos comerciantes. “Estamos indo até os bairros agora para atender a grande demanda por mão-de-obra qualificada da indústria da Capital. Fazemos parceria com as lideranças comunitárias que convocam os candidatos e as empresas que doam a matéria-prima e permitem a realização dos cursos gratuitos para a população. As primeiras experiências demonstraram que estamos no caminho certo, pois o número de inscritos não pára de aumentar", destacou o presidente da Fiems, Sérgio Longen.

Somente no ano passado o programa ajudou a qualificar mais de 2 mil trabalhadores na construção civil e 3 mil pessoas em cursos da área de vestuário e têxtil em Campo Grande.

Quentes

Uma das profissões mais “quentes' no mercado atual é a de costureira. Na Capital, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) oferece cursos que vão desde o básico em costura até tecnólogio em vestuário por meio do Centro de Tecnologia do Vestuário (CTV) que funciona dentro da Fatec. Com auxílio das empresas, muitos deles saem até de graça para quem deseja se especializar. Este suporte técnico ajudou a elevar o nível de qualificação no setor, mas para algumas empresas isso ainda é insuficiente. Os industriais dizem que é preciso mais prática e menos teoria nos treinamentos. Por conta da falta de profissionais muitas indústrias não conseguem ampliar os turnos de produção.

Além de bancar alguns cursos de capacitação e aperfeiçoamento em costura industrial e manutenção de máquinas no Senai, as empresas estão apelando até mesmo para um tipo de comunicação mais popular. Para atrair candidatas às vagas em bairros da Capital mais perto das indústrias, são utilizados carros de som, feitos anúncios em rádios e parcerias com associações de moradores, comunicados durante as missas nas paróquias e outras artimanhas.

Segundo a supervisora do Centro de Tecnologia do Vestuário (CTV) do Senai, Sílvia Pasquolatto, as estratégias têm surtido efeito. Ela destaca ainda que para garantir a excelência no trabalho, algumas fábricas levam os treinamentos e cursos para dentro da empresa. “Isso garante um maior conhecimento do maquinário e também do tipo de trabalho que a pessoa vai executar”, conclui.

Apesar do volume de vagas, muitos costureiros que são treinados em indústrias acabam não ficando na empresa. "Alguns aprendem a profissão e resolvem abrir seu próprio negócio. Por isso hoje fazemos uma entrevista prévia com os candidatos aos cursos gratuitos pagos pelas indústrias. Para as empresas é interessante treinar o funcionário e mantê-lo na empresa", explica Sílvia.

Um dos motivos da evasão destes recém-formados, pode ser o salário pago aos profissionais. Uma costureira ganha cerca de R$ 572 por mês e algumas indústrias pagam mais por produtividade. Um auxiliar de costura pode tirar o equivalente a R$ 545. Isso para trabalhar 44 horas semanais. Diante dos salários, muitos acham que vale mais a pena trabalhar em casa em seu próprio negócio do que cumprir horários pré-determinados dentro das fábricas. 

 

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