quinta, 19 de julho de 2018

Conservação: Parque Estadual das Matas do Segredo

20 SET 2010Por Bruna Lucianer11h:07

Uma Unidade de Conservação (UC) com 177 hectares de área verde, localizada na região do bairro Nova Lima, em meio ao concreto e ao asfalto da capital sul-mato-grossense. Trata-se do Parque Estadual das Matas do Segredo, berço que abriga as nascentes de um dos principais córregos de Campo Grande.
Logo na entrada, o Parque já brinda os visitantes com uma vista gratificante; uma árvore ximbuva frondosa, escolhida como símbolo do local, recebe os visitantes e guarda atrás de si a imagem de parte da mata fechada que compõe a Unidade.
Sidney de Souza Ferreira, guarda-parque, trabalha ali há quatro anos e divide a responsabilidade de cuidar da área com mais um guarda-parque e um agente de segurança patrimonial. Eles têm à disposição uma moto e um quadriciclo para monitorar a área, que, segundo Sidney, não vê um grande incêndio desde 2006.
Os incêndios constantes, aliás, foram alguns dos motivos que fizeram a comunidade do entorno da área providenciar um abaixo-assinado e pedir a criação da Unidade de Conservação. O reenquadramento da área, que desde 1993 constituía o Jardim Botânico de Campo Grande, veio em 2000 e ela passou a ser considerada um Parque Estadual.
Ali funcionou por anos o Projeto Florestinha, que oferecia apoio pedagógico e educação ambiental para meninos da comunidade. Hoje, em função da condenação estrutural do prédio onde funcionava, o projeto está parado. Leonardo Tostes Palma, gerente de Unidades de Conservação de Mato Grosso do Sul, garante que um novo prédio será erguido e o Florestinha será retomado até o final do ano que vem.
Junto com o projeto de retomada do Florestinha, foram elaborados os estudos para implantação da área administrativa do Parque, centro de visitantes, torre de observação, trilhas ecológicas e estrutura para arborismo. Com um custo estimado em R$ 4,5 milhões, esses projetos estão engavetados há mais de dois anos à espera de recursos.
Segundo Leonardo, o Parque possui um Conselho ativo que realizou pelo menos quatro reuniões neste ano. “O Florestinha estará reestruturado em 2011 e, com o projeto ativo, já será possível, aos poucos, começar a visitação”, garante. Enquanto isso a sociedade perde a oportunidade de respirar o mesmo ar, ouvir o mesmo som e sentir o mesmo cheiro de mato que eu e minha equipe tivemos o privilégio de sentir.

O Segredo
Principal formador da bacia do rio Anhanduí, o Córrego Segredo, com seus 21 quilômetros de extensão, sai límpido e cristalino do Parque Estadual. Passa por pequenas propriedades rurais, onde já sofre a influência de plantações às suas margens e encara de frente a cidade, acompanhando a Avenida Ernesto Geisel.
Dados do Programa Córrego Limpo, da Prefeitura de Campo Grande, mostram que o trecho com pior qualidade de água fica justamente na área central da cidade, do cruzamento da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Eça de Queiroz até o cruzamento com a Rua Barão do Rio Branco, aproximadamente. Neste trecho, o Índice de Qualidade de Água (IQA) chega a 31, considerado ruim, enquanto nas nascentes, nas Matas do Segredo, o IQA chega a 72.
De acordo com a engenheira química Zuleide Tomiko Katayama, coordenadora do Programa Córrego Limpo, essa área é afetada principalmente pelo lançamento clandestino de resíduos líquidos (esgoto) e sólidos (lixo). “O grande volume de água da chuva que escorre para o canal, carregando sedimentos, também contribui para piorar o IQA na área”, explica.
Os índices se referem ao ano de 2009. As análises são feitas trimestralmente e os dados referentes a 2010 devem ser publicados no ano que vem.

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