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TUMULTO

Confronto e quebra-quebra fecham Câmara de Dourados

Confronto e quebra-quebra fecham Câmara de Dourados
14/09/2010 05:38 -


Maria Matheus e Fábio Dorta

Mesmo sob forte esquema de segurança, a Câmara Municipal de Dourados foi invadida por centenas de manifestantes na noite de ontem, durante sessão que elegeu a nova mesa diretora e aprovou a criação de Comissão Processante para analisar pedido de cassação do prefeito afastado Ari Artuzi (sem partido). Policiais usaram bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo e balas de borracha na tentativa de controlar o protesto, mas as portas e praticamente todas as vidraças foram quebradas.
A confusão começou por volta das 19h45min, quando aproximadamente 600 manifestantes que acompanhavam a sessão por meio de telão instalado no lado de fora da Casa de Leis atiraram pedras, quebraram vidraças, inclusive a porta de entrada principal e a sala da assessoria de imprensa, e invadiram o prédio. Nesse momento, a sessão foi suspensa e, às 20h30min, foi encerrada por falta de quorum, porque os vereadores deixaram o plenário.  
Antes, três suplentes foram empossados – Albino Mendes (PR), Cemar Arnal (PR) e Aparecido Medeiros (DEM). Délia Razuk (PMDB), única vereadora que não foi indiciada pela Polícia Federal pelos crimes apurados na Operação Uragano, foi eleita presidente da Casa. O petista Dirceu Longhi assumiu a vice-presidência.
O vereador Sidlei Alves (DEM), que permanece preso, apresentou, por meio de seu advogado, pedido de renúncia da presidência da Casa. Até a eleição de Délia, a sessão foi presidida por Aurélio Bonatto (PDT), um dos acusados de receber propina para aprovar projetos do Executivo. Na semana passada, quando a Casa tentou realizar a primeira sessão após a Operação Uragano, um manifestante jogou um sapato em Bonatto.
Zezinho da Farmácia (PSDB) deixou a cadeia ontem à tarde e compareceu à Câmara durante a sessão, mas seguiu direto para seu gabinete. Gino Ferreira (DEM), Júlio Artuzi (PRB) e José Carlos Cimatti (PSDB), todos indiciados, participaram das votações.
Mais de 300 pessoas acompanhavam a sessão no plenário, com faixas, cartazes e palavras de ordem pedindo a cassação de Artuzi e dos vereadores acusados de receber propina para aprovar projetos do Executivo. Para entrar na Casa, eles foram revistados. O esquema de segurança contou com 120 policiais, incluindo batalhão de choque, força tática, cães e cavalaria,  mas não foi suficiente para impedir a invasão do prédio pelos manifestantes que não tinham conseguido entrar para assistir à sessão.  
Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, entre elas, um guarda municipal e uma mulher grávida, que foi socorrida pelo Samu e encaminhada ao hospital (foto abaixo).
Do lado de fora da Câmara, os manifestantes colocaram um boneco representando Judas, o traidor de Cristo, no canteiro central da Avenida Marcelino Pires, em frente ao prédio da Casa de Leis.

Medidas
Délia Razuk afirmou, em entrevista coletiva após o tumulto, que todos os atos votados durante a sessão de ontem são válidos, inclusive a instalação da mesa diretora e da comissão processante. Razuk deve assumir a Prefeitura de Dourados nos próximos dias, caso o prefeito e o vice, Carlinhos Cantor (PR), permaneçam presos ou sejam afastados definitivamente por decisão da Justiça. “Não tenho condições de falar sobre isso agora”, comentou a vereadora, ao ser questionada sobre a possibilidade de assumir o comando da prefeitura.
Atualmente, o juiz Eduardo Rocha substitui Artuzi, porque todos na linha sucessória foram presos na Operação Uragano, deflagrada no dia 1º de setembro. Eles são acusados de formação de quadrilha e corrupção. A organização criminosa, segundo a Polícia Federal, desviava verba públicas de contratos e direcionava licitações a empresas que pagavam propinas aos envolvidos no esquema.
 “É uma situação muito triste. É necessário que o parlamento tenha condições de trabalhar, porque não poder parar. Vamos nos reunir com a segurança da Casa e com os vereadores para decidir como dar segurança para dar continuidade aos trabalhos da Casa”, disse Razuk.

Felpuda


As pré-candidaturas bizarras estão se espalhando nas redes sociais, nos perfis de quem acredita que esse tipo de “campanha eleitoral” poderá resultar em votos e até levar à conquista de uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande. Se antes isso era visto apenas no horário eleitoral na TV, agora está se espalhado como erva daninha nas redes. Como diria vovó: “Esse povo ainda se acha!” Afe!