Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

Cultura

Conflito de gerações

14 OUT 2010Por 14h:46

De maneira mais leve, apesar do tom moralizante, o ator e diretor Edilton Ramos, de Campo Grande, produziu a peça teatral “Conflitos de gerações”, com o grupo Transart. Apresentada no anfiteatro do Colégio Mace para alunos de escolas municipais e estaduais, o espetáculo aborda a relação entre pais e filhos. Por meio do diálogo que coloca em cena, o trabalho aponta para a distância entre um e outro, causada pela falta de comunicação, pelas ideias diferentes e pelo preconceito que se cria nessa relação.

No plateia, crianças e adolescentes assistiam ao espetáculo e, ao final, o burburinho mostrava que a identificação com o que foi visto no palco era grande. “Eu e meus pais não brigamos muito, mas existe essa distância entre nós. Não dá para conversar tudo com eles”, aponta o estudante Kleizyfer dos Santos, de 17 anos. De acordo com ele, a diferença de idade é o principal motivo para que a convivência seja diferente. “Não sei se acredito que dê para conversar com meus pais do mesmo jeito que com meus amigos”, explica.

Para sua mãe, a esteticista Lucineli dos Santos, de 36 anos, existe muito diálogo, mas a relação entre eles não é tão aberta. “Sempre existe uma barreira entre pais e filhos. Não dá para falar o que se pensa ou o que se quer assim. O que cria essa barreira é o respeito, em primeiro lugar”, acredita. Segundo ela, a questão do conflito de gerações é antiga e sempre vai se repetir, pois a relação entre pais e filhos tem de ser diferente de uma amizade.

Entretanto, a adolescente Gisele Botelho, de 17 anos, confessa que a relação em sua casa não é conflituosa, já que mal sobra tempo para que os pais e a filha possam se encontrar. “É uma relação distanciada. Como não temos muitas coisas em comum, acabamos não tendo muito o que conversar. Além disso, o tempo que meu pais passam em casa é bastante curto, portanto, mal nos falamos”, descreve.

Gisele acredita que o espetáculo conseguiu expor as fragilidades da relação pai e filho. “Existem coisas em comum, às vezes, mas a forma como os pais pensam cria barreiras que nós não conseguimos ultrapassar. Chega uma hora que a gente desiste e a briga vira a regra da comunicação”, critica.

A visão da adolescente também casaria perfeitamente com aquilo que Bergman nos mostra em sua obra pungente, que abandona a esperança de uma comunicação real entre pais e filhos.

Leia Também