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Condenado do mensalão reclama de comida ruim na Papuda

25 JAN 14 - 07h:00Folhapress

Um grupo de conselheiros da OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil) começou ontem uma série de inspeções na Papuda, complexo penitenciário onde parte dos condenados no julgamento do mensalão está presa, e ouviu de um deles reclamações sobre a qualidade da comida.

Após o caos em presídio no Maranhão, a OAB nacional determinou às seccionais que façam relatórios sobre as condições dos presos nos Estados. Em Brasília, os advogados foram apenas na ala do regime fechado, onde está preso operador do mensalão, Marcos Valério.

José Dirceu, condenado como chefe do esquema, está na ala do regime semiaberto.

Segundo Alexandre Queiroz, presidente da comissão de ciências criminais da OAB-DF, os advogados escolheram uma cela aleatória, dentro da ala onde estão os condenados no mensalão, e conversou com Ramon Hollerbach, ex-sócio de Valério. Os réus do mensalão estão em celas separadas e aos poucos vão se integrando aos demais presos.

Alexandre Queiroz disse que ele segue as mesmas regras de outros presos. "Quando cheguei na ala dos mensaleiros, escolhi uma cela aleatória, com cama, livros e uma TV. O tratamento dado é igual ao dos outros presos", disse.

O advogado ainda descreveu o encontro, que durou cerca de dez minutos. "Chegamos, abriram a cela dele, ele abaixou a cabeça, colocou as mãos para trás. Se dirigiu até o final do corredor, ficou de costas, olhando para o chão, com as mãos para trás, até ser chamado. E quando fazíamos perguntas, ele respondia".

Ainda de acordo com Queiroz, Ramon Hollerbach apresentou as mesmas reclamações que outros presos.

"Estava presente o pessoal da segurança, mas da forma que ele falou estão tendo convivência e aos poucos estão sendo inseridos e tomando banho de sol. A conversa foi igual a dos outros presos e todos reclamam da alimentação. Inclusive da cantina, que eles podem comprar produtos. Alguns têm problema de colesterol e não podem comprar um suco light, por exemplo", afirmou.

O advogado disse também que não ouviu, de outros presos, qualquer reclamações de privilégios aos condenados no mensalão.

Segundo a OAB-DF, a Papuda está superlotada, faltam servidores e a equipe médica é insuficiente. "Do mesmo jeito que o Estado tem que aplicar a pena para quem cometeu o erro, tem que garantir a integridade física".

A OAB-DF, ao contrário de outras inspeções, não fotografou as celas.  

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