segunda, 23 de julho de 2018

AGRICULTURA

Conab faz leilão para segurar alta do milho

17 NOV 2010Por Edivaldo Bitencourt00h:30

Com o objetivo de segurar o preço do milho, que acumula alta de 33,3% nos últimos 12 meses, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza, amanhã, leilão de venda de 317,7 mil toneladas do produto. O encarecimento do grão, em decorrência da quebra de safras em vários países e do aumento de 22,3% na exportação brasileira, terá reflexo no custo da carne de frango e suíno para o consumidor, já punido com o valor recorde na cotação da arroba do boi gordo no País.

Segundo a Conab, 50,2 mil toneladas (15,8%) estão em armazéns do órgão em Mato Grosso do Sul, distribuídos nos municípios de Chapadão do Sul (18,9 mil toneladas), Sidrolândia (7,7 mil t), Maracaju (6,9 mil t), Amambai (6,075 mil t), São Gabriel do Oeste (4,4 mil t), Deodápolis (3,091 mil t), entre outros. Segundo o coordenador-geral de Cereais e Culturas Anuais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Sílvio Farnese, o objetivo é complementar o abastecimento de milho para os criadores de aves e suínos. “A medida evitará a alta no preço do insumo com reflexo no preço final da proteína animal para a população”, destaca Farnese.

Para o vice-presidente da Bolsa Brasileira de Mercadorias, Carlos Eduardo Dupas, a questão é saber se o Governo terá estoque suficiente para reduzir ou segurar a cotação do cereal no mercado. O leilão é a arma da Conab para evitar a supervalorização do produto. O maior objetivo é evitar o repasse da alta para os preços das carnes de frango e suíno para o consumidor. A carne, principalmente a bovina, é que mais tem causado inflação nos últimos meses na Capital.

Commodities
O preço da saca de 60 quilos está em R$ 20 neste mês, o que representa aumento de 33,3% em relação aos R$ 15, cotados em novembro do ano passado e março deste ano, quando começou a última safra. O valor teve aumento de 40,3% em São Paulo, de R$ 20,56 para R$ 28,86 no mesmo período, conforme a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP.
Dupas atribuiu a alta ao crescimento da exportação, principalmente, para a China, que teve sérios problemas de chuva e seca. Outro fator é a maior utilização do milho para produzir etanol nos Estados Unidos, que reduz o estoque mundial do produto.

O assessor de agricultura da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul), Lucas Galvan, acrescenta a quebra na safra do trigo na Europa, que substituiu o produto pelo milho para alimentar animais. Além disso, ele acrescenta que as commodities, em geral, estão em boa fase no mercado internacional.

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