Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Perdas

Comércio ainda reclama de feiras itinerantes que 'invadem' a Capital

17 OUT 2010Por ADRIANA MOLINA03h:51

As feiras itinerantes – grupos de comerciantes de outros estados que chegam à Capital e passam pequenas temporadas -  são sinônimo de perdas para o comércio local. Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), esse tipo de evento tem prejudicado lojistas, principalmente, nos setores têxtil e calçadista, por oferecerem produtos com preços muito abaixo dos praticados na cidade.
Em alguns casos, a diferença de valores num mesmo tipo de produto chega a 70%, dependendo de onde é comercializado. “Não somos contra a concorrência, mas esta é uma concorrência desleal, pois eles têm preços muito menores porque não arcam com todos os impostos que nós arcamos aqui. Muitos trazem a mercadoria sem pagar nem mesmo ICMS e ISS”, conta o vice-presidente da entidade, João Carlos Polidoro.
Esse tipo de expositor geralmente se instala no Centro de Convenções Albano Franco, em salões e galpões de bairros. Alguns chegam até mesmo a estacionar caminhões em pontos estratégicos da cidade na expectativa de vender suas mercadorias, sem a necessidade de pagar o aluguel de um estande ou correr o risco de ser tributado.
Segundo Polidoro, comercializações assim, além de fomentarem a informalidade, já que muitos acabam comprando para revender como sacoleiros na Capital e em cidades do interior -  prejudicando o comércio local dos municípios - também comprometem a arrecadação estadual e municipal, afetando diretamente os serviços à população.
“O imposto representa em média cerca de 40% do valor de um produto têxtil, por exemplo. Na quantidade que eles vendem, é um montante expressivo de dinheiro que deixa de ser investido em melhorias em saúde, educação e outros setores da sociedade”, pondera, apontando que com isso, quem perde é a própria população que compra nesse tipo de feira e que, inconscientemente está reduzindo a qualidade do atendimento público que utiliza.

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