Segunda, 11 de Dezembro de 2017

Com torneira seca, comércio cobra até R$ 1.600 por água no Guarujá

31 DEZ 2013Por R718h:00

Os turistas que escolheram o litoral paulista para passar o Réveillon sofrem com a falta de serviços básicos. No Guarujá (SP), a principal necessidade é a falta de água nas torneiras. Diante do problema, os comerciantes de água potável enxergaram uma oportunidade de negócio.

A reportagem do R7 encontrou empresas que cobram até R$ 1.600 por um caminhão pipa carregado com 30 mil litros de água potável. Normalmente, a mesma mercadoria sai por R$ 400 fora da temporada, ou seja, o valor cobrado agora é quatro vezes maior. Os preços variam conforme a quantidade e a localidade de entrega.

Um caminhão com 16 mil litros sai por R$ 1.400. Se o turista quiser menor quantidade, para encher a caixa d’água de uma casa, por exemplo, dá para comprar 4.000 litros por R$ 700 na empresa Maremar. A turista Eunice Cavalcanti Pereira saiu de São José do Rio Preto (SP) no último dia 27 para passar o Ano Novo em uma casa com a família na praia da Enseada, no Guarujá, e se surpreendeu com a falta de água na torneira.

— Onde já se viu faltar água no Ano Novo? Todo mundo sabe que, no fim do ano, as praias ficam lotadas, mas o governo não cuida da infraestrutura para atender o público. Nós ainda estamos bem. Imagine quem está em um apartamento, com oito ou dez pessoas, e sem água?

O problema é recorrente na cidade, segundo zeladores e porteiros ouvidos pelo R7. O porteiro José Roberto Araújo de Lavor trabalha há 13 anos em um condomínio residencial do Guarujá. Por volta do meio-dia, o reservatório de água do prédio onde trabalha recebia o quinto caminhão-pipa de 30 mil litros.

— Um caminhão desse dura meia hora aqui no prédio. Todo ano é a mesma coisa, sempre falta água no Ano-Novo. Os turistas e moradores pagam água o ano todo e não usam porque não podem vir para cá e, quando precisa, falta água.

A reportagem tentou reservar um caminhão de água na mesma empresa que atendeu ao condomínio em que trabalha José Roberto. Pelo rádio, o fornecedor, que não se identificou, se recusou a vender mais um caminhão de 30 mil litros: “Se eu falar que vou dar conta de entregar, vou mentir. Não estou dando conta da demanda”.

Jeitinho brasileiro
Alguns prestadores de serviço locais oferecem um serviço paralelo para encher as caixas d’água das casas em que os turistas estão hospedados. A reportagem encontrou um segurança de banco que faz bicos para bombear a água da rua para as residências.

Com uma bomba elétrica, ele garante que consegue fornecer até 3.000 litros de água da rua em até uma hora. Ao meio-dia, ele já tinha resolvido o problema de, pelo menos, três casas. O “serviço caseiro” sai bem mais barato que um caminhão-pipa: R$ 100 por residência.

A reportagem entrou em contato com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) nesta terça-feira (31) para comentar os transtornos com o abastecimento no litoral paulista, mas ainda não obteve resposta da empresa. 

Leia Também