Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Com altar, pais celebram aniversários e choram a morte de filhos na Boate Kiss

25 JAN 2014Por TERRA20h:00

Durante o fim de semana que antecede o primeiro aniversário da tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria, onde 242 jovens morreram na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, uma ONG mantida por familiares de vítimas tenta tocar adiante o projeto de doação de alimentos iniciado por suas filhas. No calçadão que fica a algumas centenas de metros da casa noturna, uma barraca foi montada para arrecadação e, ao mesmo tempo, comemorar o aniversário do grupo de amigas que morreram juntas no incêndio. Ao lado de um altar ornado com objetos pessoais das jovens, pais choravam a perda das filhas em um misto de tristeza e indignação. As jovens Mirela, Gilmara, Flavia, Andrielle e Vitória tinham em comum, além da amizade, a vontade de ajudar o próximo. Após a trágica morte do grupo, as famílias decidiram criar a ONG Para Sempre Cinderelas, com o objetivo de continuar a iniciativa das jovens de distribuir doações a pessoas carentes.

Das cinco amigas, três tinham a mesma idade e faziam aniversário em janeiro: no dia 7, Vitória; no dia 24, Andrielle; e, no dia seguinte, era a vez de Flavia. Os familiares montaram uma espécie de memorial das jovens em cada um dos dias, com fotos e objetos pessoais, inclusive as bebidas que elas mais gostavam. "O quarto dela está como ela deixou, com exceção da falta dela. Aos poucos eu vou dando umas roupinhas dela", conta Ligiane Righi da Silva, mãe de Andrielle. "Espero por uma resposta (sobre a punição dos culpados), assim como eu espero que minha filha volte para casa", afirma a mãe. Segundo Ligiane, a tragédia ceifou as vidas de boa parte do grupo de amigos. "Foram 15 amigas perdidas. Se ela tivesse sobrevivido, ela não ia aguentar essa perda", disse a mãe, que encontrou, na companhia de outros pais na mesma situação, o conforto diante da morte precoce da filha. "Os pais juntos aqui, é o que ameniza a dor, é o que nos dá paz." 

Aniversários e homenagens

Ligiane conta que reuniu os amigos de Andrielle na sexta-feira em sua casa, onde comemoraram seu aniversário. Em uma festa com direito a bolo e até mesmo tequila - "ela adorava tequila", lembra a mãe de Andrielle -, os amigos tocaram músicas no violão que pertencia à jovem, preservado pela família. "Ela gostava muito de tocar Reação em Cadeia, Capital Inicial...", recorda. Neste sábado as homenagens estavam centradas na aniversariante do dia, Flávia, mas os parentes da jovem, principalmente a mãe, estavam muito abalados com a memória da perda em uma data tão emocionante, principalmente pela proximidade com o dia da morte. Perdas estas que os parentes prometem honrar em prol de mudanças e punições que impeçam que tragédias como a da Kiss voltem a se repetir pelo País. 

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