Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

CONFRONTO

Coligação pedirá investigação sobre agressão a Serra

23 OUT 2010Por São Paulo04h:00

A coligação "O Brasil Pode Mais", do presidenciável José Serra (PSDB), anunciou ingresso de representação pedindo ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a instauração de inquérito na Polícia Federal (PF) para investigar a participação de Sandro Alex de Oliveira Cezar, candidato derrotado a deputado estadual pelo PT no Rio de Janeiro, e de José Ribamar de Lima, diretor do Sindicato de Agentes de Combate a Endemias, no ato da última quarta-feira (20) que resultou em agressão ao tucano, no Rio de Janeiro. A ação pretende ainda que seja apurada a participação de outros envolvidos.

Na avaliação da coligação, a tentativa de impedir a caminhada promovida pela campanha de Serra viola os artigos 248, 331, 332 do Código Eleitoral, que proíbem que pessoas impeçam o exercício da propaganda eleitoral e inutilizem, alterem ou perturbem os meios utilizados para a propaganda.

O artigo 248 não prevê punição, mas o artigo 331 prevê detenção por até seis meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa. O artigo 332 também prevê detenção de até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa. Durante a entrevista coletiva para falar sobre a representação, o senador eleito Aloysio Nunes (PSDB-SP) condenou a agressão. "Esse tipo de ação desemboca no chavismo", afirmou. "Tentaram impedir de forma violenta, com impropérios, gritos e barreira humana. É algo inadmissível no regime democrático".

O senador relacionou a agressão a militantes e políticos do PT. "Havia uma manifestação pacífica que foi brutalmente perturbada, hostilizada e depois interrompida por uma tropa de choque preparada e organizada previamente e dirigida por militantes e políticos do PT", afirmou.

"Este é o fato mais grave: a utilização, em um Brasil democrático, de uma tecnologia patenteada pelos fascistas da Itália na década de 1920, que consiste em trocar o debate de ideias pela desordem nas ruas e porrada nos adversários".

O senador eleito condenou ainda a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio, que levantou dúvidas sobre a veracidade da agressão e ironizou Serra. "O mais grave ainda é o fato de o presidente da República, em vez de censurar os desordeiros, se permitir a caçoar da vítima", afirmou. "Para que esses métodos não prosperem, uma vez que são estimulados de cima, é que estamos tomando medidas judiciais para deter esse processo", afirmou. "Se isso continuar, vamos precisar pedir autorização do PT para existirmos politicamente".

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