Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

IMPASSE

Clínica particular terá aumento de 285% nos repasses públicos

19 NOV 2010Por bruno grubertt02h:10

O repasse de verbas públicas para a única clínica de Campo Grande que presta serviços de radiologia passará de R$ 70 mil para R$ 270 mil mensais, durante quatro meses. O reajuste chega a 285%. Com isso, o valor total chegará a R$ 1,08 milhão. Como não há serviço de radiologia na rede pública de saúde, a intenção é possibilitar o tratamento de mais pessoas com câncer e diminuir a fila de espera dos pacientes pelo atendimento, que, atualmente, inclui 170 pessoas.

A negociação foi resultado de uma reunião entre representantes das secretarias municipal e de Estado de saúde com o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Felipe Fritz Braga, do Ministério Público Federal (MPF). Ele afirmou que a medida é paliativa e que o MPF vai cobrar o tratamento na rede pública para esses pacientes.

Desde outubro, o MPF vem acompanhando o atendimento dos pacientes com câncer no Estado e a demanda que está sem atendimento.

Atualmente, além da clínica Neorad, em Campo Grande, que será beneficiada com o aumento dos recursos na ordem de 285%, oferecem o tratamento de radioterapia os Hospitais do Câncer, também na Capital, e o Hospital Evangélico, em Dourados. Todos os estabelecimentos são particulares, embora os dois hospitais sejam filantrópicos. Segundo o MPF, o governo do Estado não pretende instalar equipamentos de radioterapia no Hospital Regional e o aparelho disponível no Hospital do Câncer tem limite de horário para funcionar, portanto, não é possível aumentar o número de pacientes atendidos.

Provisório
O repasse de dinheiro para a clínica particular — que atende os pacientes que deveriam ser atendidos pelo serviço público — será rateada entre o Estado e o município. Segundo o secretário de saúde de Campo Grande, Leandro Mazina Martins, cada um repassará R$ 100 mil a mais a Neorad, durante quatro meses.

O procurador Felipe Fritz Braga afirmou, em nota publicada pelo MPF, que não concorda absolutamente com o aumento dos repasses, já que essa medida é somente paliativa. Ele quer que, nesses quatro meses, governo e município estruturem a radioterapia na rede pública.

Denúncias
O MPF também está investigando se tem havido descaso com os pacientes que sofrem de câncer no Estado. Porém, ainda há poucas informações sobre esses problemas, já que os pacientes não denunciam a demora no atendimento.

Conforme mostrou o Correio do Estado, em reportagem publicada na edição do dia 12 de setembro, um terço dos pacientes com câncer de Mato Grosso do Sul buscam atendimento no Hospital do Câncer de Barretos (SP). Os pacientes que não têm condições financeiras para se deslocar até lá, têm de aguardar na fila pelo atendimento. A espera pode prejudicar o tratamento.

O MPF pretende ouvir esses pacientes para que possa tomar as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para garantir o acesso gratuito ao tratamento.

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