Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

arrastões

Clima em Nova Friburgo é de apreensão

15 JAN 2011Por NOVA FRIBURGO00h:00

O clima em Nova Friburgo, cidade atingida pelas enchentes na região serrana do Rio de Janeiro, é de muita apreensão. Ao mesmo tempo em que tentam se recuperar do caos provocado pela lama, que invadiu violentamente a cidade, os moradores precisam lidar com o medo de assaltos e arrastões, boatos sobre invasões de delegacia e falsos alarmes sobre o rompimento de represas.

Carros do Exército estão por todos os lados, fuzileiros navais desviam o trânsito e policiais rondam as ruas, abarrotadas de carros e motos. A população dá sinais claros de tensão e abatimento.

"Perdi mais de cem amigos. Alunos e amigos de infância. Está um caos", conta o professor de jiu-jitsu Fábio Moraes, 33. Segundo o morador, a cidade foi destruída, o comércio ainda não voltou a funcionar e, somente agora, a população começa a sair de casa para comprar mantimentos, água e tentar conseguir combustível. "O pessoal enche o tanque com medo de acabar e não sobra nem para os carros de resgate", diz.

 Filas e tumultos
Nos postos de gasolina, nos bairros mais afastados do centro, as filas de carro são enormes. Um funcionário do bairro Ypu conta que os donos do estabelecimento aumentaram o preço do combustível em R$ 0,10 por conta dos gastos com o frete. "Precisou vir lá do Rio de Janeiro", disse. Boatos dão conta, no entanto, de que o litro da gasolina chega a custar R$ 4 em alguns postos.

Nos supermercados que ousaram abrir as portas ontem, quando a energia elétrica voltou, a situação era parecida. As filas contornavam o quarteirão. Seguranças controlavam a entrada dos clientes para evitar tumultos. Em alguns lugares, a espera era de mais de meia hora.

As caminhonetes que transportavam garrafas de água, atualmente o produto mais precioso da cidade, precisaram ser escoltadas pelas ruas do centro. Houve relatos sobre tentativas de assaltos aos supermercados e aos caminhões que trazem doações. As comparações com os cenários vistos após os terremotos do Chile e do Haiti são constantes. Os relatos de mortes, pessoas isoladas e casas destruídas também podem ser ouvidos a cada esquina.

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