Terça, 12 de Dezembro de 2017

registro de agressão

Clima de tensão
na OAB/MS vira caso de polícia

22 FEV 2014Por VÂNYA SANTOS E ROBERTA CÁCERES10h:00

O clima de tensão que se instalou na manhã de ontem (21) no plenário e também no pátio da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), foi parar na Delegacia de Polícia, com o registro de Boletim de Ocorrência sob a acusação de agressão e ameaças.

A briga que ocorreu durante reunião, foi registrada em vídeo por um dos participantes e mostra o clima tenso, xingamentos e provocações.

A confusão teve início porque alguns conselheiros queriam impedir a votação que tratava sobre a criação de uma comissão para apurar possíveis gastos indevidos feitos por parte do presidente da OAB/MS, Júlio César Rodrigues. A briga começou envolvendo apenas o conselheiro estadual Carlos Magno e o ex-presidente da Carmelino Rezende, porém, outros advogados interferiram na situação.

“O Carmelino e outros conselheiros foram para a delegacia fazer Boletim de Ocorrência por ameaça e agressão física. Além disso, será aberto um processo ético contra eles”, contou o conselheiro federal Carlos Marques.

Segundo Marques, o objetivo de Júlio César era de retardar a sessão para não serem votados os itens da pauta. “O presidente Júlio César, que, dos 32 Conselheiros Estaduais, contava com o apoio de oito, flagrantemente abriu a sessão com o propósito de não votar as matérias em pauta e tumultuar a sessão para que a mesma fosse suspensa”.

Crise
Marques esclareceu que, desde que o presidente da OAB-MS fez contrato milionário com o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), em julho de 2013, a crise se instalou na seccional sul-mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil, em razão do contrato que Júlio César assinou com o prefeito Alcides Bernal. Júlio César já tinha contra si a manifestação conjunta da oposição, passou a perder apoio até mesmo de sua diretoria e de todos os principais aliados da última eleição.

“Ele não tem o apoio do Conselho Estadual Titular e Suplente, do Conselho Federal Titular e Suplente, do TED, da ESA, da CAA, das Comissões e do Colégio de Presidentes de Subseções e quer tocar a Ordem sozinho, como se fosse o rei dos advogados. Logo nós, advogados, defensores da cidadania e do Estado Democrático de Direito, ter que nos submeter a isso é demonstração inequívoca do caos”, destacou Marques.

Em janeiro deste ano, representantes do Conselho Federal da OAB estiveram em Campo Grande para investigar “in loco” a denúncia contra Júlio César Souza. Somente o Conselho tem a competência de investigar o presidente da Ordem. “Queremos que Júlio César saia da presidência, só que a competência para resolver isso é do Conselho Federal da OAB”, analisou Marques. “Mas o Conselho está demorando demais para se mover. O Conselho Federal está distante da gente, do que está acontecendo de fato aqui, de certa forma, a gente até compreende”.

Manter a Ordem
Sobre a discussão, o presidente da OAB definiu-a como “tumulto” e alegou que teve que suspender a sessão devido ao desentendimento. “Na verdade, ocorreu um tumulto na sessão.

Tive que suspender para manter a ordem”, comentou Júlio César. Questionado sobre o relato dos conselheiros, Júlio César afirmou ser invenção dos opositores. “É duro esse povo, começa a inventar, não foi bem assim”, declarou. “Agora, a próxima reunião do Conselho é no final do março, no dia 28”, pontuou. 

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