Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

ARTE

Cinema permanece fechado e festival depende de acordo

18 NOV 2010Por Thiago Andrade00h:23

A única sala voltada para o cinema de arte em Mato Grosso do Sul fechou suas portas ontem, suspendendo todas as atividades por tempo indeterminado. O Cine Cultura, que funciona em Campo Grande desde 2002, tornou-se palco de eventos importantes como o Vídeo Índio Brasil e o Festival de Cinema de Campo Grande – FestCine Pantanal, projetando o nome do Estado para todo o Brasil, com participação de longas e curta-metragens de diversas regiões. Contudo, o proprietário do cinema, Nilson Rodrigues, disse que “a falta de interesse do Estado e da prefeitura em apoiar a iniciativa inviabilizou sua manutenção”.

De acordo com Américo Calheiros, atual presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), o Cine Cultura presta serviço importante para a cidade, mas as prioridades do Governo são outras. “Existem ações culturais que não têm lucro e, portanto, não podemos deixá-las de lado. Como repassar recursos a uma iniciativa privada que ganha dinheiro com a venda de ingressos?”, indaga o presidente.

Américo lembra que existem impedimentos jurídicos contra a ação estatal sobre o órgão, sendo necessária a abertura de licitação. “É um espaço privado como outro qualquer”, lamenta. O presidente da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), Roberto Figueiredo, preferiu não se pronunciar até conversar com o Prefeito Nelson Trad Filho.

Pedro Ortale, ex-presidente do órgão, argumentou que quando esteve à frente da fundação houve investimento do Governo para o Cine Cultura por meio de projetos culturais e sociais. “Existem formas legais de investir, por meio de projetos que fazem uso da sala. Naquela época  os funcionários públicos de todo o País, por exemplo, pagavam meia entrada. Essa é apenas uma das formas”, descreve.

Segundo Ortale, que está à frente da organização do 8º FestCine Pantanal, o mais importante é que o poder público tenha interesse em manter um espaço cultural como o Cine Cultura. “Todos os cinemas de arte do Brasil são financiados por órgãos públicos ou privados. Não há como ele se manter com o dinheiro da bilheteria”, aponta.

De acordo com Márcio de Camillo, integrante da diretoria da Associação Amigos do Cine Cultura, criada em 2006 para ajudar a manter o espaço, o cinema já ameaçava fechar as portas há algum tempo, em razão das dificuldades financeiras. “Com o fechamento do Cine Cultura perdemos um espaço de arte muito importante, principalmente por sediar o festival de cinema, que nos coloca no mapa audiovisual do Brasil”, lembra.

Festival de cinema
A 8º edição do Festival de Cinema de Campo Grande – FestCine Pantanal – não foi cancelada, afirma o coordenador Pedro Ortale. Segundo ele, os preparativos para a próxima edição do principal evento do audiovisual na Capital não cessaram, mesmo com o fechamento das portas do Cine Cultura. Entretanto, a coordenação busca formas de manter os investimentos de R$ 300 mil da Oi Futuro.

Em razão da falta de leis estaduais ou municipais de incentivo à cultura por meio de renúncia fiscal, a empresa se nega a financiar o projeto. “Estamos conversando com eles para manter, pelo menos, uma parte dos investimentos por meio da Lei Rouanet”, argumenta Ortale.
O FestCine Pantanal está previsto para acontecer entre os dias 14 e 29 de janeiro de 2011, em Campo Grande. Deve abranger também cidades como Bonito, Dourados e Corumbá.

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