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Cientistas observam tempestade na atmosfera de Saturno

21 MAI 2011Por Estadão05h:00

Embora a atmosfera de Saturno tenha uma aparência bem calma, uma vez a cada ano do planeta, o que corresponde a 30 anos da Terra, ocorre um distúrbio, algo como uma tempestade, abaixo das nuvens que muda este cenário durante a primavera no hemisfério norte.

A última vez que esta tempestade ocorreu foi em dezembro do ano passado. Os cientistas então aproveitaram para estudá-lo usando uma câmera infravermelha do Very Large Telescope (VLT) do ESO e a sonda espacial Cassini da NASA. Esta foi a sexta tempestade registrada desde 1876.

De acordo com as observações, a tempestade pode ter se originado nas profundezas das nuvens de água onde um fenômeno parecido com uma tempestade de trovões gerou uma nuvem gigante, que se deslocou para cima, perturbando a atmosfera calma do planeta. Estas perturbações interagem com os ventos e causam variações na temperatura das zonas superiores da atmosfera.

"Nossas novas observações mostram que a tempestade teve um efeito enorme na atmosfera, transportando energia e material por grandes distâncias, modificando os ventos atmosféricos - criando correntes de matéria ejetada e turbilhões gigantes - e perturbando a lenta evolução sazonal de Saturno", explicou Glenn Orton, membro da equipe que estudou o fenômeno.

Os cientistas conseguiram observar um fenômeno chamado faróis estratosféricos, que correspondem a mudanças muito grandes de temperatura no alto da estratosfera de Saturno, que fica a 250-300 km dos topos das nuvens da atmosfera inferior. Por meio deles foi possível observar até que altura chegam os efeitos da tempestade. Vale lembrar que, na estratosfera de Saturno, a temperatura normalmente é de cerca de -130 graus Celsius durante este período, mas nestes faróis as temperaturas são de 15 a 20 graus Celsius mais quentes.

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