Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

CANA DE AÇUCAR

Cidade de GO dificulta a expansão canavieira

9 JAN 2011Por Paula Pacheco (AE)00h:00

Os moradores de Jataí (a 322 quilômetros de Goiânia) se orgulham do título de maior produtora de grãos de Goiás. Nesta época do ano, o verde das folhas dos pés de soja está por todo canto. E, se depender dos agricultores e do poder público de Jataí, a expansão da cana-de-açúcar vai ficar no único projeto de pé até agora, o da usina da Cosan. A empresa investiu cerca de R$ 1 bilhão para começar do zero a atividade sucroalcooleira na cidade.

Em dezembro, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto de lei do prefeito Humberto de Freitas Machado (PMDB) que, na prática, vai dificultar a vida da Cosan e de futuros projetos. Se a companhia decidir ampliar a usina, terá de submeter a proposta a audiência pública. No caso de algum outro grupo cogitar uma usina em Jataí, melhor desistir.

A nova lei, que pôs de pé o Plano Diretor Rural de Jataí, criou o Conselho Socioeconômico de Desenvolvimento Rural (Coderj), formado por vereadores, sindicato patronal e de trabalhadores rurais, associação comercial e pelo conselho comunitário. O grupo será responsável por avaliar os pedidos de instalação de novas usinas. E, se depender de moradores da cidade como o próprio prefeito, a cana não vai avançar. “Há um movimento na cidade contrário à expansão da cana, com o apoio de várias entidades de classe e da própria prefeitura”, diz Antonio Gazarini, produtor de grãos e um dos opositores à cana.

A decisão é um baque para o setor sucroalcooleiro, que escolheu o Centro-Oeste como nova fronteira. Nos últimos seis anos, a quantidade de novas usinas na região aumentou 106%, enquanto em São Paulo, reduto tradicional da cana, o crescimento foi de 40%. A região é a aposta dos usineiros para o desenvolvimento da atividade. Em 2011, a previsão da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa o setor, é que sejam inauguradas cinco usinas no Centro-Oeste. No ano passado, nove usinas entraram em operação.

Uma das razões para a rejeição dos produtores de grãos à cana em Jataí está no impacto da nova cultura nos preços para arrendamento de áreas de plantio. Para arrendar um hectare, o produtor de soja pagava em média o valor de 12 sacos do grão (cerca de R$ 560). Já a Cosan chega a oferecer 18 sacos (em torno de R$ 840) pela área.

Sérgio Oliveira de Toledo Ribas se animou com a possibilidade de diversificar a atividade rural. Além de ter vendido a área onde hoje está instalada a Cosan, passou a plantar cana, somando à soja e à criação de gado. Começou com 105 hectares e hoje são 500 hectares. Já os grãos ocupam 780 hectares.

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