quarta, 18 de julho de 2018

ESTADO DE CALAMIDADE

Chuvas na região serrana do Rio matam centenas

13 JAN 2011Por RIO00h:00

Um temporal na madrugada de ontem provocou a maior tragédia da região serrana do Rio em décadas. Deslizamentos de toneladas de terra, quedas de pedras gigantescas e enxurradas comparadas a tsunamis atingiram moradores, tomaram bairros inteiros e inundaram prédios em segundos. Regiões de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis ficaram destruídas ou tomadas pela lama, em um cenário semelhante ao provocado pelo furacão Katrina, que devastou a cidade americana de Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005.

 

Segundo as últimas informações divulgadas ontem, o número de mortes subiu para 257. O município de Teresópolis registrou 130 mortos, em Nova Friburgo, 107, e 20 em Petrópolis. O governo do Estado solicitou à Marinha aeronaves para ajudar no socorro e resgate de moradores das localidades, pois as ruas e estradas foram comprometidas com as quedas de encostas. 
Em nota, o governador Sérgio Cabral lamentou a “perda de vidas nesta tragédia causada pelas chuvas” e manifestou “solidariedade às famílias”. Segundo o comunicado, os aviões da Marinha vão deslocar material, equipamentos e agentes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil nas cidades atingidas. No exterior, o governador deve voltar ao Rio e visitar a Região Serrana hoje.
O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek, decretou estado de calamidade pública e informou que equipes ainda buscam sobreviventes em diversas áreas do município. Ele alertou que o número de vítimas pode aumentar, pois as equipes de socorro ainda estão percorrendo os locais devastados por enxurradas e desmoronamentos. Sedlacek estima que o número de desabrigados já passa de 1.000 pessoas. “É a maior catástrofe da história do município”, afirmou o prefeito.
Quatro bombeiros morreram e outros três estão desaparecidos após um deslizamento em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, o grupo estava em um veículo da corporação que se deslocava para prestar socorro às vítimas da chuva quando foi soterrado por um prédio que desabou.
Estabelecimentos comerciais estão fechados no município de Nova Friburgo. Lojas e supermercados só abriram para limpeza. 
O coordenador da Defesa Civil da cidade, coronel Roberto Robadey, disse que o volume de chuvas chegou a 260 mm em 24 horas – em janeiro de 2010, o volume foi de 180 mm. “Quem tiver passado a noite em lugar seguro e estiver isolado não deve sair”, pediu.
Em Petrópolis, 18 pessoas morreram em alagamentos. A força da enxurrada em uma região conhecida como Vale do Cuiabá chegou a derrubar casas, segundo o Corpo de Bombeiros de Itaipava, distrito de Petrópolis. A prefeitura, no entanto, acredita que o número de vítimas pode passar de 40.
 
Drama em Itaipava
Uma mansão em frente à pousada Tambo de los Incas, em Itaipava, na Região Serrana, foi soterrada nesta quarta-feira. Nela estavam 16 pessoas, entre elas parentes do empresário Erick Connolly, ligado ao Banco Icatu. A família havia alugado a casa para temporada.
A mulher de Erick sobreviveu e passa por uma cirurgia, mas o casal perdeu os três filhos na tragédia. A estilista Daniela Connolly, irmã de Erick, também morreu com dois filhos, a babá e o marido no desabamento.
 
Presidente
A presidente Dilma Rousseff viaja hoje, às 10h, para o Rio de Janeiro, onde sobrevoará áreas atingidas pelas chuvas. A informação é da secretaria de imprensa do Palácio do Planalto. Essa será a primeira viagem de Dilma desde que assumiu o governo em 1º de janeiro.
Está prevista uma conversa da presidente com os jornalistas no Rio em local e horário ainda não divulgados pelos assessores. Dilma se deslocará de Brasília de avião e, no Rio, fará o sobrevoo de helicóptero.
Ontem, a presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória liberando R$ 780 milhões para auxílio às cidades atingidas pela chuva. O dinheiro será dividido entre o Ministério da Integração Nacional, para ações de defesa civil, no auxílio a resgate das vítimas e prevenção de mais mortes, e o Ministério dos Transportes, por meio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), para reconstrução e recuperação de rodovias. 

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