sábado, 21 de julho de 2018

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Chuvas devem provocar alta da carne e soja

16 JAN 2011Por TERRA14h:32

As chuvas que têm castigado a região Sudeste devem atrapalhar a colheita do feijão, a plantação do milho de segunda safra e o transporte de gado para o abate. Isso poderia promover a queda na qualidade - e consequentemente no preço do feijão, mas também elevação no preço de outros itens, como a carne e soja.

O feijão deve ser o produto alimentício mais afetado, porque este é o período de colheita da leguminosa, explica o gerente de avaliação e acompanhamento das safras de Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Carlos Bestetti. "A qualidade do feijão cai porque o produtor não está conseguindo debulhar (tirar o feijão da vagem). Pode haver depreciação do preço", explica.

A Conab ainda não atualizou as projeções para a colheita de feijão - a pesquisa será realizada nesta semana - mas já há sinais de prejuízo para os agricultores, segundo Bestetti.

A carne, que tem registrado seguidas altas de preço, pode ser mais um dos itens afetados pela chuva. "Na pecuária de corte, existe essa expectativa de que (a chuva) atrapalhe o transporte do animal até o frigorífico", afirma o zootecnista e consultor da Scot Consultoria em agronegócio, Rafael Ribeiro.

A colheita da soja também pode ser atrapalhada pelo mau tempo, já que as máquinas agrícolas não têm a mesma produtividade diante do clima ruim, na opinião de Ribeiro. Ainda, a combinação de calor e umidade favorece a proliferação de fungos, como a ferrugem asiática, que precisam ser prevenidas com uso mais intenso de agrotóxico, o que pode elevar o preço final do grão, de acordo com Bestetti.

O milho, que está bem cotado no mercado, é favorecido com o excesso de umidade. O atraso na colheita de soja, no entanto, pode atrapalhar a plantação da segunda safra do milho, conhecida entre os produtores como a safrinha, já que muitas vezes é plantada logo depois que a leguminosa é colhida.

Ainda, a produção de leite pode ser prejudicada se as chuvas nas regiões produtoras continuar intensa. "No caso do leite, (com as chuvas) tem formação de barro, um fator de estresse para o animal que interfere na produção", detalha Ribeiro.

De acordo com a Associação Paulista dos Supermercados (Apas), "no primeiro mês do ano, as chuvas excessivas provocaram perdas na lavoura e dificultaram a distribuição de produtos in natura". Com a menor oferta, os preços ficaram mais altos nas gôndolas já nos primeiros meses.

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