Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Chuva e custo menor animam produtores a preparar o plantio

25 SET 2010Por 09h:30

Cícero Faria, Dourados

A safra de verão 2010/2011 começará agora para o agricultor do sul do Estado. Com as chuvas de quinta-feira e ontem, eles começarão a fazer o primeiro procedimento: a dessecação das ervas daninhas, que brotaram após a colheita do milho safrinha. Produtores rurais estão animados com a perspectiva de redução de 20% no custo do plantio da soja neste ano, apesar do temor em relação ao fenômeno La Niña.
Os produtores de grãos estavam aguardando com expectativa a mudança do tempo há vários dias.
A entrada de uma frente fria mais forte na tarde de anteontem conseguiu romper a massa de ar seco, provocando chuvas de mais de 20 milímetros na região. As previsões são de mais precipitações na região sul até terça-feira.
Com a chuva, as plantas invasoras dos campos vão aparecer mais intensamente. Por isso, os agricultores prepararam os pulverizadores para a aplicação de herbicidas quando o  tempo melhorar. Após a aplicação, entre uma semana e 10 dias, as ervas daninhas estarão mortas, explicou o agrônomo Sérgio  Luiz Miranda.
Depois desta operação inicial, poderão ser plantadas as primeiras áreas de soja, com as chamadas variedades superprecoces, porque o vazio sanitário termina no dia 30 deste mês, quando o cultivo fica proibido. Mas o zoneamento agrícola prevê o início da semeadura a partir de 15 de outubro, no caso daqueles que vão financiar a lavoura no Banco do Brasil.

Mais barato
Conforme Miranda, o custo para plantar um hectare de soja cairá até 20%, conforme a tecnologia de plantio adotada. O preço do fertilizante, dependendo da formulação, caiu até 15%; os defensivos agrícolas tiveram redução de 10% a 20%; o mesmo ocorrendo com as sementes, cujo saco de 40 quilos varia de R$ 52 a R$ 72, de acordo com a cultivar, independentemente se é convencional ou transgênica. Além disso, o mercado estima melhores preços para os grãos na safra 2010/2011.
Mas depois do período de seca de julho e agosto, teria que chover pelo menos 50 milímetros para que o solo esteja em condições ideais para receber a semente. Na safra passada, em Dourados, por exemplo, foram plantados 140 mil hectares de soja. No Estado, a área plantada com soja deverá representar 1,7 milhão de hectares.

La Niña
As chuvas voltaram, mas a principal preocupação dos agricultores é com o fenômeno La Niña – resfriamento das  águas do Oceano Pacífico equatorial, que se reflete em menos chuva no centro-sul do País no período da safra.  A escassez de precipitações no final do inverno já foi o primeiro efeito do La Niña.
“O clima tem deixado o produtor com certo receio por causa do La  Niña. Faltar chuva é sempre um problema”, frisou o agrônomo.

Leia Também