Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

China começa a investigar incêndio que deixou 53 mortos em Xangai

16 NOV 2010Por G106h:48

A Polícia chinesa prendeu nesta terça-feira quatro pessoas suspeitas de ter relação com o incêndio de um arranha-céu em Xangai no qual morreram pelo menos 53 pessoas, enquanto as investigações preliminares revelaram que a causa do fogo pode ter sido um erro humano cometido por trabalhadores sem licença.

A torre, de 28 andares e situada no distrito de Jingan, estava em processo de reforma quando o incêndio começou, por volta das 4h de segunda-feira.

O fogo começou em alguns materiais de construção e se alastrou por andaimes e interiores durante quatro horas.

As primeiras investigações sobre a origem do incêndio, ordenadas pelo ministro da Segurança Pública e principal responsável pela Polícia da China, Meng Jianzhu, levaram à detenção de quatro soldadores sem licença que trabalhavam na andaimaria do décimo andar do edifício como causadoras do fogo.

"Os responsáveis pelo acidente serão punidos de acordo com a lei", disse Meng, após viajar para Xangai para dirigir as tarefas de busca por sobreviventes e ordenar uma investigação sobre a qual deverá manter o Conselho de Estado (Executivo) informado.

O ministro também pediu às autoridades locais que realizem inspeções de segurança em edifícios para evitar que o incidente se repita.

A agência oficial "Xinhua" informou também que Meng visitou os ingressados no hospital de Ruijin, um dos nove que recebeu os mais de 70 feridos, a maioria intoxicada pela grande nuvem de fumaça causada pelas chamas. Ao menos 17 deles ainda se encontram em estado crítico.

As chamas já foram totalmente extintas do edifício, do qual nesta terça se aproximaram centenas de pessoas para observar os efeitos do desastre e levar flores, apesar de não terem podido se aproximar porque, conforme as autoridades locais, ainda há risco de desabamento.

Um total de 25 brigadas e 61 veículos de bombeiros se deslocou ao local, onde três helicópteros resgatam alguns moradores que subiram até o terraço fugindo do fogo e ficaram no meio da fumaça, o que dificultou os trabalhos.

Outro empecilho para o trabalho de resgate e de combate ao fogo, de acordo com o jornal local "Shanghai Daily", é o fato de o incêndio ter ocorrido em um dos mais de 15 mil arranha-céus da cidade.

A falta de helicópteros equipados, que poderiam ter acelerado os trabalhos soltando água de cima, e a longitude inadequada das escadas, que alcançam apenas 50 metros frente aos mais de 85 metros do edifício, são alguns dos problemas que agravou o fato.

Além disso, devido à estreiteza das ruas ao redor da torre, algumas das 61 unidades enviadas ao lugar não puderam se aproximar do edifício e tiveram que ficar em regiões próximas.

Na segunda-feira, as autoridades locais acomodaram os mais de 440 residentes afetados em hotéis próximos ao edifício, construído em 1998 e onde viviam principalmente professores de escolas do distrito de Jingan, muitos já aposentados.

O incêndio é o pior dos últimos anos em Xangai e deixou mais mortos que nos aproximadamente 4 mil outros registrados nos primeiros nove meses do ano, que somaram um total de 33 vítimas e 38 feridos.

Além disso, o incidente aconteceu apenas 15 dias depois que a metrópole realizou, durante seis meses, um de seus maiores eventos internacionais, a Exposição Universal, encerrada no último dia 31 com 73 milhões de visitantes e poucos incidentes.

Capital econômica da China, Xangai, de 20 milhões de habitantes, tem um forte crescimento econômico que ocasionou um 'boom' da construção de edifícios e infraestruturas, aumentado pela realização da Exposição.  

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