Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

'Tsunami Pantaneiro'

Cheia obriga interdição da Estrada Parque

16 MAR 2011Por Laís Camargo16h:53

A chuva deu trégua, mas nos últimos dez anos, os pantaneiros já acostumados com as cheias não se lembram de ter visto algo parecido. São três acessos ao Pantanal, dois estavam interditados há mais de uma semana e hoje a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) interditou um trecho de 33 quilômetros da Estrada Parque Pantanal Sul, a única que ainda dava acesso aos pantaneiros.

Foto: Paulo Ribas

"Lá é um areião bravo. Tem lugar que são 40 centímetros de água, optamos por interditar para evitar acidentes e mais atolamentos. Hoje foram dois caminhões atolados, amanhã poderiam ser meia dúzia. Não temos condições de manter um trator lá", explica o diretor-executivo da Agesul, de Corumbá, Luiz Mário Anache.

Do Rio Miranda até a Curva do Leque (MS-184) só ficou possível passar a cavalo. A última chuva forte na região foi no domingo (13) e há previsão de que a inundação aumente, já que as águas dos Rios Taquari, Aquidauana e Miranda estão descendo em direção à estrada e deve voltar a chover forte no fim de semana, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

"O problema agora é bem mais grave do que a gente possa imaginar; como proprietário da região, o que não queria era isso. Como que fica agora para levar a subsistência para a região? Não só do Passo do Lontra, mas da Nhecolândia. Ficou tudo isolado, até as pistas de pouso estão cobertas de água", analisa João Júlio Dittmar, 65 anos, médico, criador de gado e pantaneiro desde os 5 anos de idade.

Mas o Pantanal é uma planície alagada, que tem períodos de cheia todos os anos. Seria normal se não fosse a velocidade e intensidade com que aconteceu dessa vez. "A água chegava devagar, a pastagem do Pantanal, o felpudo, cresce acima da água e o gado sai para pastar com água pela barriga, mas esse ano não sobrou parte seca para o gado voltar e a água ultrapassou o crescimento do pasto", conta João Júlio.

Corte de gastos

Na segunda-feira (14), o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, e o governador André Puccinelli, fizeram reunião com a bancada federal do Estado para falar sobre os prejuízos causados pelas enchentes em Mato Grosso do Sul e na ocasião, afirmaram que devem cortar investimentos previstos em orçamento para poder destinar a recuperação de pontes e estradas vicinais.

"O Estado não está preparado para isso. Estou chamando de tsunami pantaneiro, o volume de água que chegou foi muito grande. Há uns 4 dias atrás aumentou o volume de água de 12 a 15 centimetros em 24 horas. A solução para isso seria ter feito com antecedência estradas adequadas, completar a Transpantaneira e investir em estradas vicinais. Tem gado pronto para embarcar nos Boieiros em Corumbá, mas precisa ter um ponto de acesso para chegar até lá", aponta o pantaneiro João Júlio.

Outras áreas

O perigo do isolamento é evidente. Neste sábado (12) uma família foi resgatada pelos bombeiros de Bataguassu. Leima Aparecida Ferreira, 49 anos, a amiga Maria Glória da Silva, 58 anos, o peão Jorge Cândido da Silva, 48 anos e uma criança de 2 anos de idade ficaram presos por uma semana na Fazenda Lageado e tiveram que pedir socorro por celular porque já estavam sem alimentos. Conseguiram ser resgatados de barco até Santa Rita do Pardo.

Foto: Divulgação
Estradas e comunidades rurais ficaram submersas por conta da enchente

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