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Campo Grande - MS, segunda, 22 de outubro de 2018

Chance desperdiçada

10 MAI 2010Por 05h:47
Embora praticamente nada tenha saído do papel, revitalização da região central de Campo Grande é um assunto que há anos faz parte da agenda da administração municipal. Incontáveis reuniões para debater o tema já aconteceram. Empréstimos milionários foram buscados em Brasília e até fora do País. Mas, quando surge a oportunidade de revitalizar a região que realmente precisa passar por um processo de renovação, a da velha rodoviária, as autoridades municipais e estaduais literalmente fazem “corpo mole”.

    Dirigentes das universidades estadual e federal demonstraram interesse em transformar o prédio numa espécie de centro universitário, que também abrigaria salas da Uningá (Unidade de Ensino Superior Ingá). Para isso, porém, o Governo estadual, principalmente, teria de demonstrar interesse de valorizar o ensino superior e colocar a mão no bolso a fim de dar estrutura de verdade à UEMS em Campo Grande. Por enquanto, ela funciona em salas “emprestadas” de uma escola estadual e será instalada definitivamente no prédio de uma escola desativada na periferia da Capital. Isto significa que tão cedo as famílias campo-grandenses não precisam esperar que a instituição verdadeiramente chegue à cidade.

    A informação de que tanto a UFMS quanto a UEMS desistiram do prédio chega na mesma semana em que veio a público a informação de que foram gastos R$ 2,3 milhões na confecção de agendas, com foto do governador, distribuídas aos alunos da rede estadual pelo Detran. Quer dizer, investe-se em “perfumaria” (agendas definitivamente não são itens de primeira necessidade nas mãos de alunos, que certamente as abandonaram após alguns dias de uso) e deixa-se para segundo plano algo que realmente faria a diferença para milhares de jovens da Capital e de quebra ainda resolveria um sério problema da região central de Campo Grande. 

    Um centro universitário no prédio da desativada rodoviária certamente daria nova configuração a uma região visivelmente deteriorada e que, sem o movimento dos passageiros de ônibus, tende a ficar pior. Investir milhões e milhões em revitalização de ruas, fiação das redes de telefonia e energia, reforma de antigas fachadas e outras medidas externas não é o suficiente para recuperar alguma região da cidade caso estas intervenções não venham acompanhadas de atividades econômicas permanentes.

    A omissão do governador e do prefeito, além de mostrar que pouco se preocupam com os problemas concretos da população de Campo Grande, evidencia, principalmente, que dão a mínima para a educação dos jovens. Para desapropriar mais de 22 hectares e doá-los a multimilionários donos de empresas de ônibus existe dinheiro no caixa da prefeitura da Capital. Recurso menor poderia ter sido destinado à desapropriação do antigo prédio para que pudesse ser cedido ou alugado às instituições de ensino. Porém, quando existe dinheiro para beneficiar empresas de ônibus e falta para a educação, qualquer comentário sobre administradores que conduzem a coisa pública desta forma é dispensável. A não ser, é claro, que "cidade dos ônibus" e a velha rodoviária tenham alguma relação direta que não se quer que venha a público
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