Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

OBSTETRÍCIA

Cesariana x parto normal

4 OUT 2010Por Luana Martins, Bolsa de Mulher00h:00



O dia tão esperado se aproxima e é hora de escolher a forma pela qual o pequeno chegará ao mundo. Se por um lado a rápida recuperação do parto normal e a ausência de cicatriz a seduzem, por outro, o medo da dor e o desejo que o filhote chegue em segurança podem pesar na opção pela cesariana. De fato, o Brasil é campeão mundial em realizações da cirurgia.
Os médicos informam que em 2006, 42% dos nascimentos realizados em hospitais conveniados ao SUS (Sistema Público de Saúde) eram cesáreas. Nos hospitais da rede privada, a taxa alcançava 90%. A tendência é mundial. Países que tradicionalmente apresentavam taxas baixas deste tipo de parto, como a Turquia e a Itália, alcançaram, no início dos anos 2000, taxas de 30 e 33%, respectivamente.
Contrariando os números, desde 1985, o Ministério da Saúde recomenda que apenas 15% dos partos sejam cirúrgicos. Os médicos explicam que essa porcentagem se deve ao fato de que, teoricamente, teríamos uma taxa de 15% de complicações intraparto que justificariam a intervenção cirúrgica ou mesmo gestações de alto risco nas quais seria necessário o parto cesariano para não incorrer em risco de morte para mãe e/ou bebê. Por que, então, é cada vez maior o número de cesáreas realizadas nas maternidades do país?
Mitos e questões culturais costumam ser a resposta para essa questão. O medo da dor, o perigo de ter que sair de madrugada para dar a luz, o receio de não encontrar seu médico na hora que precisa ou não chegar ao hospital a tempo são algumas das preocupações que levam as mulheres a optarem pela cirurgia. Além disso, hoje, a mulher, em geral, trabalha fora e precisa se organizar para ter seu filho. Portanto, ela gosta de poder programar sua gravidez, sabendo exatamente o dia e a hora do nascimento da criança.
É importante salientar a questão dos planos de saúde. Os convênios médicos remuneram o especialista igualmente (independentemente do tipo e da duração do trabalho de parto). Desta forma, para o médico particular (ou de convênio), pode ser muito mais cômodo marcar a cirurgia, saber exatamente a hora e o dia em que precisa fazer o atendimento, sem precisar acompanhar todo o trabalho de parto.

Escolhendo um parto seguro
 Diante de tantos impasses, escolher a forma em que se dará a luz não é tarefa fácil. E quando a segurança do bebê é um dos quesitos mais importantes, a cesariana costuma ser o parto escolhido, mas os especialistas alertam dizendo que não existe um tipo de parto mais seguro para todas as crianças. Cada caso deve ser avaliado individualmente por profissional qualificado e as decisões devem ser tomadas juntamente com a família. Ainda que de uma forma geral o parto normal seja mais indicado por contribuir para que o bebê expulse o excesso de líquido pulmonar ao passar pelo canal de parto, diminuindo os riscos de transtornos respiratórios, nem sempre ele é o parto mais seguro.
O que ocorre é que em gestações normais, a segurança não está no tipo de parto mas sim como essa assistência é realizada. Partos normais bem assistidos são muito seguros. Cesáreas bem indicadas e bem executadas também o são. Por isso, em gestações a termo (idade gestacional maior ou igual a 37 semanas) com feto de peso adequado e em boas condições de oxigenação e nutrição, o parto por via vaginal pode ser considerado seguro para o futuro recém-nascido. Por outro lado, quando há riscos para a mãe, feto ou ambos, as cesáreas são indicadas.
Em alguns casos, o parto cesariano torna-se, até mesmo, a única opção. Quando há risco materno e fetal, hipertensão arterial grave da gestante, o feto encontra-se em posição transversa ou a mulher apresenta mais de duas cesáreas anteriores, a cirurgia é a indicação. E o descolamento placentário prematuro e a desproporção entre a cabeça da criança e o canal do parto como fatores que levam os especialistas a recomendarem o parto cirúrgico.
Os médicos o indica em casos de gravidez de gêmeos em que um dos fetos encontra-se sentado ou em gestações múltiplas de três crianças ou mais. Portanto, o pré-natal pode ser a melhor ferramenta para escolher qual parto realizar. Através dele é possível saber de antemão o que será mais seguro para a mãe e para a criança.

Saiba mais

u Antes de decidir qual parto escolher, é preciso desmitificar algumas questões:

O trabalho de parto normal é doloroso e a recuperação da cesariana também. Certo?
Errado. Segundo os especialistas, o pós-parto cesariano não precisa ser algo sofrido. Já estão disponíveis no mercado analgésicos eficientes, seguros e que não interferem na amamentação. Por outro lado, alguns procedimentos também ajudam a minimizar a dor do parto normal. No momento adequado, é possível realizar anestesia/analgesia com alívio significativo da dor.

Mulheres que já fizeram uma cesariana não podem se submeter ao parto normal?
Sim, elas podem. Mas o parto deve ser muito bem conduzido, pois como o útero apresenta uma cicatriz prévia há um risco maior de ela se romper durante as contrações para a expulsão do bebê. E no caso da realização de duas cesáreas anteriores ou mais, desaconselha-se o parto vaginal por risco maior à mãe e ao próprio bebê.

Parto normal pode levar a um afrouxamento dos músculos vaginais, interferindo no prazer sexual?
Ainda que exista essa possibilidade, esse afrouxamento depende de muitos fatores e não apenas do parto vaginal. Mesmo quando ocorre a ruptura da musculatura pélvica não há nenhuma interferência no prazer sexual. O que pode ocorrer são outros problemas posteriores como incontinência urinária.

Mulheres com mais de 35 anos devem recorrer à cesariana?
Não existe indicação de cesárea tendo como único fator a idade. Acontece que quanto mais velha for a mãe, maior o risco de apresentar hipertensão, diabetes e outras doenças que poderiam complicar a gestação, motivando, então, um parto cesárea.

u Converse com seu médico, esclareça suas dúvidas, analise as possibilidades de realização de um parto normal e escolha aquele em que você se sentirá mais à vontade.

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