segunda, 16 de julho de 2018

Cerrado, nova Amazônia

20 SET 2010Por Bruna Lucianer11h:25

Não, o Cerrado não roubará da Amazônia o título de “pulmão do mundo”. Mas, ao que tudo indica, ultrapassará ou, pelo menos, empatará com o outro bioma em nível de preocupação ecológica junto aos órgãos nacionais competentes. Isso porque, atualmente, desmata-se uma área de 20 mil quilômetros quadrados de Cerrado por ano, o dobro do que é desmatado na Amazônia, de acordo com informações no Ministério do Meio Ambiente.
Há dez anos, também se registrava um desmatamento de aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados por ano no bioma amazônico. A feliz redução desse número foi possível graças à preocupação (quase) generalizada em conservar a região, dada a sua importância ecológica.
“Mas esse enfoque vai mudar”, prevê Michael Becker, coordenador do Programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil. A ONG elaborou um mapa da cobertura vegetal da Bacia do Alto Paraguai, que compreende uma porção de Cerrado, onde constam dados referentes ao desmatamento do bioma de 2002 a 2008. É baseado nos alarmantes números que Michael faz a afirmação e alerta: “a região precisa de atenção especial, pois as especificidades são completamentes diferentes das da Amazônia”.
A preocupação já começou: no dia 10 de setembro de 2009, véspera do Dia Nacional do Cerrado, o Governo Federal divulgou os primeiros dados obtidos pelo Programa de informações sobre o bioma. Eles apontam um desmatamento de 85 mil quilômetros quadrados de 2002 a 2008, o que equivale a 4,17% da área total do bioma. Os remanescentes de vegetação até o ano de 2008 somavam aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados, isto é, 51,54 % da área total do bioma, enquanto que as áreas desmatadas equivaliam a 975 mil quilômetros quadrados, 47,84% da área total.
Em Mato Grosso do Sul, os números seguem a mesma linha. O mapa feito pelo WWF-Brasil mostra que o planalto sul-mato-grossense possui apenas 41,8% de sua cobertura vegetal natural, enquanto o Pantanal alcança o índice de 86,6%. “O objetivo do estudo foi justamente levantar dados concretos  que permitam a formulação de políticas públicas para frear o desmatamento”, explica Michael.
O xis da questão é que as estratégias de conservação para o Cerrado precisam carregar peculiaridades diferentes das da Amazônia. “O Cerrado é o berço das águas e o celeiro do Brasil; o grande desafio é alinhar a produção agropecuária com a proteção ambiental. Isso torna a situação mais complicada do que na Amazônia”, ilustra Michael.
Detalhe: o Cerrado supre o Pantanal com água; ou seja, de nada adianta concentrar a preservação na parte baixa se as nascentes não forem protegidas. Mais um detalhe: as maiores bacias hidrográficas do país nascem no Cerrado. A importância do bioma e o tamanho do problema são nítidos; vejamos se as providências serão tão nítidas quanto.

Cerrado
Segundo maior bioma da América do Sul
Compreende 25% do território brasileiro
A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas.
É reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando nos diversos ecossistemas uma flora com mais de 11.000 espécies de plantas nativas

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