domingo, 22 de julho de 2018

EM BAIXA

Carnes exóticas têm mercado restrito em MS

21 NOV 2010Por Carlos Henrique Braga02h:25

Com mercado restrito ao consumidor de gosto exótico, carnes de fora do circuito boi-frango não entraram no cardápio diário das famílias, mas foram mantidas como atração em restaurantes e lanchonetes. O avestruz por exemplo, chegou com tudo no início desta década, mas não ganhou adeptos em massa. Desestimulados, produtores mudaram de negócio e hoje apenas uma empresa de Campo Grande domina a cena. O jacaré está prestes a ganhar um frigorífico em Mato Grosso do Sul, mas ainda é "importado" do Mato Grosso.

O abate de avestruzes despencou 69,4% na comparação entre os meses de outubro deste ano e de 2009, de 3046 para 931, segundo a Superintendência Federal de Agricultura (SFA), que começou a contabilizar abates em março do último ano.

Desde a época de ouro da ave, os preços também caíram. O filé, que passava de R$ 80, agora, aos R$ 23,50, no atacado, é mais barato do que o filé bovino, vendido a R$ 27. Em fazenda perto da Capital, o casal de animais, que já foi vendido a R$ 13 mil, é entregue por R$ 1,2 mil, ou seja, dá para formar um plantel de 20 aves com o dinheiro que antes só comprava duas.

Empresários culpam a falta de apetite do consumidor e a a ação de especuladores pelo ocaso do avestruz. O dono do frigorífico Strut, Manoel Pivetta, sobreviveu aos preços altíssimos, que ainda dão fama de "carne de elite" à ave, e não tem boas recordações da época em que o animal era considerado uma promessa. "O mercado estava cheio de especuladores, os preços subiram demais porque era carne exótica, mas essa gente não deu conta de se manter na cadeia", conta. Segundo ele, dos mais de 160 produtores que existiam no Estado em 2005, sobraram "dois ou três".

Um desses criadouros está desistindo do negócio. As duas mil aves do passado, comercializadas como reprodutoras, foram reduzidas a 20. A justificativa do funcionário é a falta de mercado e dificuldade em exportar para lugares onde os cortes são mais consumidos. A exportação de carne, de qualquer tipo, segue regras extremamente rígidas de controle sanitário.

A licença de Pivetta deve sair em meados do ano que vem, e abrir as portas de países da América do Sul e da Europa, mas com moderação: "eles já pedem, a demanda é muito grande, não dá para atender", diz o empresário, que mantém a produção em São Gabriel do Oeste e o abate em Campo Grande.

Outra permissão a caminho é para abater jacarés, o que criará o primeiro frigorífoco do gênero do Estado. O grupo é restrito: apenas a cidade de Cáceres, em Mato Grosso, domina o mercado regional, inclusive o de Mato Grosso do Sul. O jacaré que faz sucesso nos sanduíches do turista de Bonito, por exemplo, vem da cidade mato-grossense.

Leia Também