domingo, 22 de julho de 2018

ALIMENTOS

Carne mais cara faz outubro ter maior inflação em 8 anos

6 NOV 2010Por Carlos Henrique Braga03h:00

  Preços mais altos da carne bovina elevaram a inflação da Capital ao maior índice para outubro (0,91%) desde 2002, quando o mês registrou 2,24%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), medido pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas da Universidade Anhanguera-Uniderp. Todos os cortes da carne estão mais caros, até mesmo os de frango e suíno. A maior alta (19,2%) é da picanha, que passou de R$ 21,87 para R$ 26,09, em média.

Para manter o lucro, restaurantes não têm outra saída a não ser repassar o aumento ao consumidor. Gastão Frandoloso, dono da tradicional churrascaria que transformou seu nome em grife local, subiu o buffet em R$ 2,50, e cobra R$ 39,50, por pessoa. Os constantes reajustes não assustam quem enfrentou os altos e baixos do Plano Collor, nos anos 90, que corroeu o poder de compra dos brasileiros e elevou a inflação às alturas. "Naquela época cheguei a mudar o preço do rodízio duas vezes por mês, hoje essa alta não é nada", compara.

É pouco para o empresário, mas alarmou os pesquisadores. "Em outubro, podemos dizer que a inflação saiu do controle, pois desde o mês de maio estava em patamares baixos", disse José Francisco dos Reis Neto. O sinal vermelho está ligado para os alimentos, que apresentaram expansão de 2,6%, no mês passado, e 8,84%, nos últimos 12 meses. Entre os maiores aumentos, estão os dos preços do acém (16%), vendido a R$ 9,19 e da paleta (6,3%), encontrada por R$ 9,61. Frango e suíno também embarcaram na subida e tiveram aumento de 3,68% para a ave inteira congelada (R$ 4,94), e 6,16%, para o pernil (R$ 8,25). A inflação acumulada no ano está em 4,69%, contra 3,29% em 2009.

Os frigoríficos têm menos bois para abater, reflexo da diminuição de animais prontos nas fazendas. Quando falta produto e a procura continua aumentando, os preços vão às alturas. Para a menor quantidade de oferta nos pastos, o setor culpa o abate de fêmeas (matrizes) desde 2005 para compensar perdas do produtor com a febre aftosa.

Somado a isso está a forte estiagem desta entressafra, que secou pastos e atrasou ainda mais a engorda dos bovinos. O pecuarista saiu ganhando com a arroba a preço recorde (R$ 102), até 40% mais alta do que no ano passado. A tendência é de preços subindo nos açougues enquanto o oferta continuar minguada.

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