domingo, 22 de julho de 2018

Carne fica 6% mais cara e puxa inflação

6 OUT 2010Por Carlos Henrique Braga01h:12



Alimentos mais caros puxaram a inflação de Campo Grande em setembro (0,40%), a mais alta em quatro meses e maior que o dobro da registrada em agosto (0,16%), segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/CG), medido pela Universidade Anhanguera-Uniderp. A carne bovina ficou 6% mais cara, em média, ainda refletindo a escassez de animais para abate. No ano, todos os cortes acumulam alta, sendo alguns de até 30%.
Os dez produtos que mais contribuíram para a elevação da inflação em setembro foram: alcatra (6,52%), pão francês (7,14%), contrafilé (7,01%), laranja pera (21,64%), aluguel de casa (0,91%), costela bovina (7,05%), óleo de soja (7,48%), maçã (17,9%), aluguel de apartamento (0,70%) e paleta (7,74%).
A carne mais consumida no País deve ficar ainda mais pesada no bolso do consumidor com a aproximação do período de festas, quando aumenta a demanda por todos os tipos, segundo o pesquisador Celso Correia Souza. Na contramão, cortes de frango, principal alternativa aos do boi, não tiveram alta expressiva; os de suínos, ficaram em média 4,5% mais baratos.
Os principais cortes bovinos estão mais salgados. O preço da agulha subiu 29,5% neste ano, passando de R$ 6,64, em janeiro, para R$ 8,61, no mês passado. A paleta teve alta de 22,1% (de R$ 7,40 para R$ 9,04), acompanhada pelo coxão mole, que subiu 20% (de R$ 11,50 para R$ 13,32); lagarto, 15,8% mais caro (de R$ 10,56 para R$ 12,23); e outros nove cortes.

Meta
A inflação acumulada no ano (3,78%) já se aproxima da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. Se continuar em ascensão, como acredita Souza, vai esbarrar nos 2% adicionais dados em tolerância, antes que um sinal vermelho acenda. Isso deve ocorrer por causa dos pastos, ainda em recuperação, que não liberam o gado a tempo para o frigorífico. Além disso, 70% do gado confinado para abate no Brasil (1,3 milhão),  já foi processado.
Somado a isso, está a retomada das exportações, perdidas na crise de 2008/09, que fizeram os preços externos crescerem 23% nos últimos meses. “O grupo Alimentação que, desde junho, estava contribuindo para segurar a inflação, registrando índices negativos, em setembro foi praticamente o responsável pela alta”, diz o pesquisador.
No grupo Habitação, o índice médio de reajuste foi de 0,12%. O grupo Despesas Pessoais registrou pequena elevação de 0,05%.

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