sábado, 21 de julho de 2018

SANIDADE ANIMAL

Carne de boi abatido vai ser vendida em açougues de MS

27 OUT 2010Por Carlos Henrique Braga e Rose Rodrigues, de Três Lagoas00h:00

 A carne dos 1.599 bovinos de Três Lagoas, que serão sacrificados hoje para evitar riscos de contaminação pelo mal da vaca louca, será destinada aos açougues e supermercados, segundo o fiscal da Superintendência Federal de Agricultura (SFA), João Ormay. Foram encontratos resíduos de proteína animal na alimentação do rebanho, procedimento proibido por lei estadual que pode contaminá-los com a doença. O pecuarista será multado em R$ 47 mil. A carne pode ser consumida porque testes não mostraram indícios de infecção.

O fazendeiro de Três Lagoas disse à SFA que os restos de animais foram parar nos cochos por engano. Na sua versão, o erro foi da fábrica de ração, que acidentalmente adicionou matéria-prima da ração do frango ou do suíno, liberados para ingerir proteína animal, ao produto destinado aos bovinos. "Algum componente mais barato como farinha de osso ou de carne pode ter se misturado à ração, isso é possível", explica Ormay.

Alimentar ruminantes com proteína animal é proibido, mas não é raro. Em junho, seis bois foram mortos, em Terenos, por precaução à mesma doença. O presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Domingos Martins de Souza, prefere manter em sigilo o nome do pecuarista infrator, mas admite que outras propriedades atuam da mesma forma. A mais comum é a cama de frango, mistura de penas e dejetos de aves adicionadas à ração. Há ainda os produtores que confundem a liberação do uso da cama para adubar a terra, e a utilizam na grama, onde é ingerida pelo boi.

Os bovinos enviados ao abate sanitário foram avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões. No processo, serão retiradas as partes onde a proteína infecciosa pode se alastrar (olhos, sistema nervoso central, medula e a porção final do intestino) e o resto será negociado pelo pecuarista. Ele será multado em pelo menos R$ 47,404 mil por desobedecer a Lei Estadual nº 3.823, de 2009, que prevê sanção para quem criar animais em "condições inadequadas de manejo, nutrição, profilaxia (higiene), proteção, saúde ou tratamento". A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), que aplicará a multa, não se pronunciou sobre valores.

O agendamento dos abates, que serão feitos em grupos de 300 ou 400 animais, não foi feito no único frigorífico de Três Lagoas. Eles serão enviados a dois frigoríficos em Campo Grande e Nova Andradina.

O Ministério da Agricultura considera o rebanho sacrificado insignificante e não divulga relação de casos semelhantes no Brasil. O fiscal da SFA garante que há abates desta natureza, principalmente na Bahia e em Goiás.

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