Segunda, 22 de Janeiro de 2018

Carnaval o ano todo

20 JAN 2010Por 04h:52
Enquanto a grande maioria vê o fim do carnaval na Quarta-Feira de Cinzas, para um determinado grupo a festa mais popular do Brasil nunca tem fim. Mas quem acha que para essa turma é tudo diversão, vai o aviso: o samba também está ligado ao suor... do trabalho. São aqueles que têm neste período de festa de Momo a oportunidade de mostrar as fantasias que produziram ao longo do ano. Este ano, Campo Grande assistirá novamente evento competitivo na área, isso depois de dois anos sem promover o concurso (ler matéria na página). Normalmente, mal os tamborins silenciam, os carnavalescos iniciam os preparativos para o próximo carnaval. “Não tem fim, os festejos acab a m e estamos pensando próxima fantasia. Primeiro, a gente sonha com uma fantasia ideal, depois, estudamos o que pode ser feito; por fim, passamos para a realidade e vemos o que podemos fazer realmente”, diz a advogada Rebecca D’Albinie, 22 anos, que concorrerá pela primeira vez com uma indumentária própria. “Nos outros anos fui modelo, dessa vez concorrerei com uma que estou fazendo”. A c a r n ava les c a não está sozinha na empreitada. A lguns integrantes da família – mãe, pai, irmã e o cunhado – ajudam em todo o processo de confecção. “Durante todo ano ficamos pensando no que vamos fazer. Tudo começou com os nossos pais, que sempre gostaram de carnaval. Meu pai, por exemplo, passou por algumas escolas de samba”, diz a funcionária pública Bárbara Albino, 30 anos, irmã de Rebecca. Ela também participará do con- c u r s o n a cata- go- ria Origi- nali- dade. “Sairei como uma Carmen Miranda”. O amor pelas fantasias, segundo Bárbara, contagiou outras pessoas da família, como o marido Leandro Barone. “Ele, a partir do momento em que viu nossa empolgação, resolveu participar e agora também desfila. Inclusive está ajudando outros carnavalescos na confecção das fantasias”, diz a moça. Renovação A participação de novos carnavalescos não assusta os mais antigos. Ao contrário. Estes dizem que os novos mantêm a tradição. É isso que pensa um dos mais atuantes, o cabeleireiro Adão Barbosa, 46 anos, que desfila suas fantasias há 16 anos. “Comecei em escolas de samba, mas não gostava do que me davam para desfilar, por isso comecei a fazer minhas próprias fantasias”, lembra. Atualmente, Adão se divide entre o carnaval campograndense e o corumbaense. “Em Campo Grande querem que desfile de graça; em Corumbá, sou pago para mostrar minha fantasia”. A questão financeira é algo marcante, principalmente, nas fantasias de luxo. Adão diz que gasta o equivalente a um carro popular, em média, em suas fantasias. “É muito caro. Investimos porque gostamos realmente de ver as pessoas felizes com o que fazemos”. No caso de Adão, o fator surpresa é uma das marcas na passarela. Ele chegou a mudar grande parte de uma fantasia quando, antes do carnaval, uma foto circulou na internet revelando detalhes de sua roupa. “Modifiquei toda a parte da frente. Adoro surpreender”. Para se ter uma ideia do custo, uma pena de faisão, item indispensável para fantasia de luxo, oscila entre R$ 50 e R$ 80. Adão diz que já chegou a utilizar cerca de 300 numa fantasia. “A nossa perdição é a Rua 25 de Março, em São Paulo. Quando vamos para lá encontramos vários tipos de material para nossas fantasias”, diz Rebecca. Ela, com a irmã, confirma que há muita ajuda entre os carnavalescos. “Numa fantasia pode ter a participação de várias pessoas. Um acaba ajudando o outro, sem problema”, aponta ela. “Formamos um grupo de amigos que começa a se comunicar a partir de outubro, antes isso não acontecia com frequência. Trocamos informações, nos visitamos. Acaba sendo uma verdadeira família reunida por causa do carnaval”, enfatiza Bárbara. Pioneiro e apoiador Todos são unânimes em apontar a presença do carnavalesco Valdir Gomes como figura de destaque na tradição das fantasias – atualmente ele é hors-concours. “Ele é muito importante por incentivar todos aqueles que querem fazer um carnaval bonito na cidade”, destaca Rebecca. Qual o motivo de tanta dedicação ao longo do ano do ano grupo de pessoas? “Sempre me faço essa pergunta. Afinal, trabalhar até de madrugada, se aprontar para desfilar, desfilar, desmontar, é muito cansativo. Mas fico pensando: é um momento tão bom, tanto antes como depois, vale a pena sempre”, avalia Bárbara.

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