segunda, 16 de julho de 2018

DESCASO

Carentes velados em saco de lixo e caixão amarrado

18 SET 2010Por 07h:03

bruno grubertt

Moradora do Bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, a diarista Sebastiana Soares do Prado, 65 anos, pessoa de poucas posses, perdeu o marido no fim da noite da última quinta-feira. Apesar de o homem ter passado mal no dia anterior, sua morte foi uma surpresa para a trabalhadora, já que ele parecia bem quando foi se deitar. Porém, mais surpreendente para ela foi a forma como o corpo dele foi entregue, ontem à tarde, para ser enterrado: dentro de um caixão revestido por madeira pinus – usada como forro do teto –, embrulhado em um saco plástico e sem ter passado por qualquer processo de limpeza.
O falecimento ocorreu próximo da zero hora de ontem. Depois de sofrer um mal súbito e desmaiar, o homem não acordou mais. Familiares e vizinhos acionaram o Corpo de Bombeiros, que foi ao local, tentou reanimá-lo, mas não foi possível evitar a morte. O corpo foi levado para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), para onde a viúva teve de ir às 3 horas para assinar todos os documentos necessários.
O caixão, feito de madeirite – compensados de madeira usados como tapume em construções – e revestido por madeira pinus, era muito frágil e a alça quase cedeu quando foram tirá-lo do carro da funerária. Quando a tampa foi aberta, vizinhos e familiares viram que o corpo estava embrulhado em saco plástico idêntico ao usado para guardar lixo. Da orelha do homem, saía sangue, que foi estancado com um pedaço de jornal encontrado pelos familiares. “A gente é pobre, mas não é cachorro. O que fizeram com ele é uma vergonha”, reclamou, emocionada, dona Sebastiana.

Assistência
A Prefeitura de Campo Grande informou, ontem à tarde, que o serviço de atendimento às famílias de baixa renda é feito pelas funerárias que detém a concessão, obtida em licitação. Como cláusula contratual, fica determinado que o transporte do corpo e fornecimento do caixão são feitos sem nenhum pagamento. Mesmo assim, deve ter qualidade.
A empresa funerária que prestou atendimento nesse caso informou que a urna funerária usada é padrão, e que outros serviços são oferecidos aos familiares, mediante pagamento.
Segundo a prefeitura, a Secretaria de Assistência Social (SAS) oferece o auxílio-funeral gratuito, somente se ficar provado que a família é de baixa renda.

Serviço
Para pedir o auxílio, o contato pode ser feito com a SAS pelo telefone 3314-3270 ou 8405-9531, com o assistente social de plantão. Denúncias de negligência no serviço das funerárias ou mau atendimento, podem ser feitas pelo telefone 3314-3151 ou 3314-9992.

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