Terça, 20 de Fevereiro de 2018

MAPA DA VIOLÊNCIA

Capital registra 975 assassinatos de jovens entre 15 e 24 anos

24 FEV 2011Por vivianne nunes15h:00

Em um período de dez anos Campo Grande registrou 975 mortes de jovens com idades entre 15 e 24 anos, todos vítimas de violência. O dado está registrado no Mapa da Violência no Brasil divulgado hoje pelo Ministério da Justiça e corresponde ao período entre os anos de 1998 e 2008. Conforme os dados levantados pela pesquisa, a capital de Mato Grosso do Sul ocupa o 22º lugar o ranking das capitais do País com uma média de 60,6 mortos a cada cem mil casos, tendo deixado a 14º posição com uma média de 63,7.

Entre as capitais brasileiras, Maceió é a que apresenta a maior taxa de homicídios com 251,4 mortes por cem mil casos. Já o Estado do Rio de Janeiro que em 1998 ocupava o terceiro lugar com uma taxa de 141,1 agora figura na 20ª posição com taxa de 72,8.

Para o comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Carlos Alberto Davi dos Santos, os números comprovam avanço “significativo”, comprovando que apesar dos casos de violência existentes na Capital, a cidade está entre as com melhores condições. “Isso quer dizer que algumas políticas que são desenvolvidas no campo da preservação estão no caminho certo”, afirmou.

De acordo com o ele, a legislação trabalhista no Brasil não permite que o adolescente possa trabalhar e isso já impõe certa dificuldade, principalmente para as camadas mais pobres da população que convivem com a ausência de pais e mães em casa, já que estes precisam trabalhar para o sustento da casa. Esse tipo de coisa acaba permitindo o contato com coisas que o jovem encontra nas ruas, principalmente o consumo de drogas, que á primeira porta para o mundo do crime.

Enquanto isso, mães e pais choram a perda dos filhos e filhas em rixas que envolvem acerto de contas do tráfico de drogas, assaltos ou mesmo, discussões banais por conta de romances e traições.

Vida transviada
Mães sofrem a dor de perderem filhos jovens para o mundo do crime

A empregada doméstica Ângela Chavez, perdeu o filho no dia 07 de novembro de 2009. Aos 17 anos, Roney Chavez já tinha várias passagens pela polícia. Era usuário de drogas e foi morto à tiros por um grupo de menores que, segundo a mãe, passaram três meses apreendidos e logo foram liberados. “Eu nem sei direito como tudo aconteceu. Sei que ele estava em casa e saiu com dois colegas que o chamaram para tomar tereré. Por volta das 4h da tarde veio a notícia de que meu filho estava morto”, relembrou.

“Ele ficava mais preso do que pra fora e me dava um pouquinho de dor de cabeça”, amenizou a mãe. Ela diz que chegou a internar o garoto em uma clínica de reabilitação mas atribui às más companhias o fato de ter perdido o jovem.

A notícia

“A minha reação foi igual a de todas as mães que perderam o filho numa situação como essa. Me senti muito culpada, eu não fui uma mãe presente”. Roney deixou uma filha de dois anos que, segundo a avó, é um “pedacinho dele”.

“Ainda sinto muita falta do meu filho, ainda não superei tudo o que houve e por isso me atraco no serviço. Para a mãe, o filho nunca morre. As lembranças sempre ficam e ainda hoje dói muito. Às vezes passo por alguém parecido na rua e penso que é ele”, desabafou emocionada.
 

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