sexta, 20 de julho de 2018

AGRONEGÓCIO

Cana e floresta reduzem espaço da pecuária

25 NOV 2010Por Edivaldo Bitencourt05h:10

A industrialização e diversificação da economia contribuíram com a redução de 10,6% no rebanho bovino de Mato Grosso do Sul. Nos últimos seis anos, o avanço da cana-de-açúcar e da silvicultura reduziram o estoque de bois nos municípios da região central e leste do Estado. Por outro lado, a falta de opção vem transformando o Pantanal em nicho da pecuária, com o crescimento do rebanho em Porto Murtinho, Corumbá e Aquidauana.

De acordo com a Pesquisa Pecuária Municipal 2009, do IBGE, Mato Grosso do Sul tem 22,325 milhões de cabeças de gado. Em relação a 2003, quando o Estado liderava o ranking nacional com 24,9 milhões de reses, houve redução de 10,6%. O Estado está em terceiro lugar, atrás do Mato Grosso, que acumula crescimento de 11,1% no período, de 24,6 milhões para 27,3 milhões, e de Minas Gerais, oscilação positiva de 7,7%, de 20,8 milhões para 24,469 milhões de bovinos.

 Municípios
Corumbá continua com o maior rebanho do País, com 1,973 milhão de bois, com aumento de 7,17% em relação a 2003 (1,8 milhão). Neste período, com crescimento de 9,7%, de 748 mil para 820,7 mil, Aquidauana passou da 10ª para a 6ª. Outro destaque é Porto Murtinho, cujo estoque cresceu 25,3% em um ano, entre 2008 e 2009, de 655,2 mil (12º) para 821,1 mil cabeças (5º). Mato Grosso do Sul tem oito municípios entre os 20 com maiores rebanhos do País.

No entanto, o avanço da cana-de-açúcar e do plantio de floresta de eucalipto reduziram o rebanho em 20,3% nos últimos seis anos em Três Lagoas (de 946,8 mil para 754,1 mil), 11,7% em Ribas do Rio Pardo (1,316 milhão para 1,161 milhão) e 18% em Água Clara (857,2 mil para 587,8 mil). Já em Camapuã, a redução chega a 31% (828,7 mil para 570,2 mil).

Para o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul), José Lemos Monteiro, a redução no leste ocorreu por causa da diversificação ecônomica, com a chegada das usinas e fábricas de papel. Somente na região de Três Lagoas, Água Clara e Ribas do Rio Pardo foram plantados cerca de 400 mil hectares de floresta.

A assessora econômica da entidade, Adriana Mascarenhas, explica que o pecuarista migrou para atividades mais rentáveis. Sobre o Pantanal, a pecuária cresceu porque é quase a principal atividade econômica possível, considerando-se as questões ambientais e de qualidade do solo. No entanto, ela considera positiva a diversificação da atividade nos demais municípios, onde o produtor cria boi, planta cana ou cultiva floresta.

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