Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Nova Zelândia

Campo-grandense vive drama de maior terremoto em 80 anos

24 FEV 2011Por VIVIANNE NUNES15h:10

A campograndense Gabriella de Mello Silva, 31 anos, mora na Nova Zelândia há oito anos e enfrenta agora o segundo terremoto desde que se mudou para a cidade de Christchurch, onde mora com o marido, dois filhos e está grávida do terceiro. Ela vive em uma fazenda, da qual é proprietária, há quarenta quilômetros do epicentro do terremoto. Pelo telefone ela contou ao Portal Correio do Estado a sensação que teve com o tremor. “Sentimos como se fossem ondas. É difícil explicar para quem nunca viveu um terremoto. A sensação que tivemos durou trinta segundo e sentimos com menos severidade desta vez; não tivemos danos na propriedade”, afirmou Gabriella.

Ela conta que para avisar à mãe, Margareth de Mello, residente em Campo Grande, que estava tudo bem com a família, entrou no site de relacionamentos [Orkut] e deixou recado para um primo. “Avisei que estávamos todos bem e, agora, procuro ficar o tempo todo atualizando o site para que as pessoas tenham notícias sobre nós”. Gabriela diz que não consegue fazer telefonemas pelo aparelho fixo mas pode receber ligações. Os celulares funcionam normalmente e o sistema SMS também. Ela também tem acesso à internet, mas a cidade de Christchurch onde o terremoto ocorreu de fato, está devastada.

Até agora eu consegui falar com praticamente todos os meus amigos mas a lista de desaparecidos na cidade só aumenta 
 

Segundo ela, até ontem, já haviam sido contabilizados 75 mortos e 300 pessoas desaparecidas.

Foto: Arquivo pessoal Gabriella

Gabriella conta que esta foi a segunda vez que passou pela situação de sentir um tremor de terra. A primeira vez o terremoto foi de 7,1 graus na escala Richter e a família sofreu muito com danos materiais. “Sentimos como se tivesse um gigante chacoalhando nossa casa”, lembra. Ela explica que a família tem uma fábrica de malte que foi muito danificada nesta ocasião, no dia 04 de setembro do ano passado. “A sensação é horrível e psicologicamente foi muito difícil superar”, afirmou lembrando ainda que ninguém se feriu.

 

 

 

Caldeira de malte ficou destruída durante tremor do ano passado

Sentimos como se tivesse um gigante chachoalhando nossa casa
 

 

Queda da Catedral

Foto: Arquivo pessoal de Gabriella



Um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, a Catedral sofreu danos no primeiro terremoto registrado no ano passado [foto], mas desta vez, ele desabou

 

O terremoto do último dia 22 registrou 6,3 graus na escala Richter mas a campograndense afirma que a distância do epicentro desta vez foi menor, cinco quilômetros de profundidade. Ela lamenta muito a queda de uma catedral que é um dos pontos turísticos mais visitados da segunda maior cidade do País. “É um observatório de onde se tem uma vista maravilhosa para os parques e jardins. Haviam 20 pessoas lá na hora e todos estão soterrados. Tenho certeza que a grande maioria das vítimas eram turistas”, lamenta.
 

Foto: Terra

 

Desta vez o sentimento de morte e as histórias que a gente escuta todos os dias é muito forte. Acharam uma mulher soterrada com um bebê nos braços. São histórias que mexem com a gente


Gabriella disse que o terremoto da última terça-feira ocorreu na hora do almoço quando muitas pessoas estavam nas ruas. “O outro foi na madrugada, 4h35min, todos estavam dormindo, em casa e muitos dos prédios que foram afetados estavam vazios. Desta vez não, as pessoas estavam em horário de almoço, foi a pior hora para acontecer”, relatou a jovem.

A reportagem do Portal Correio do Estado questionou a campograndense sobre a intenção de abandonar o local e voltar ao Brasil mas a negativa foi imediata:

Imagem do que restou da Catedral depois do último tremor


A gente ama demais este lugar. São oito anos aqui, minha vida é aqui, todos os meus sonhos, meus filhos são daqui. O sentimento que tenho hoje é mais de compaixão. Quero ficar para poder ajudar, reerguer o local. É uma cidade muito especial, muito bonita. Nunca pensei em sair daqui e agora mesmo é que queremos ficar, para ajudar, desabafou.

De acordo com ela a cidade de Christchurch possui em média 700 mil habitantes e está com todas as entradas e saídas bloqueadas. “Não tem água potável e muitas pessoas estão desabrigadas. É, realmente, muito triste”.
 

Buscas

Um grupo de 500 profissionais de resgate está no País. São pessoas da Austrália, Japão, Cingapura, Estados Unidos, Inglaterra e Taiwan, todos empenhados em localizar vítima desta tragédia. Cães de guarda estão sendo usados para encontrar pessoas vivas entre os escombros. Os vários turistas que perderam documentos pessoais estão sendo levados para a Capital do País, Wellington, para que os consulados sejam contactados e os passaportes de emergência sejam feitos para liberar o retorno aos países de origem.

Foto: Terra

   
Parte de prédio que desabou durante o terremoto de terça-feira em Christchurch

Informações de agências internacionais revelam que 80% da população da cidade ainda não tem eletricidade, nem água potável. Este já é considerado o pior desastre natural dos últimos 80 anos na Nova Zelândia.

Publicada às 07h43min

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