Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

TRANSPORTE COLETIVO

Campo Grande tem 73% da frota adaptada

30 NOV 2010Por DANIELLA ARRUDA02h:10

Mesmo com índice de adaptação de sua frota entre as mais altas do País, o transporte coletivo de Campo Grande ainda é fonte de obstáculos para a acessibilidade das pessoas com deficiência. Entre as principais reivindicações dessa parcela de usuários estão a disponibilização dos veículos adaptados para todos os horários, capacitação dos funcionários do setor e aumento da frequência de manutenção dos elevadores e demais dispositivos de acessibilidade, disponíveis hoje em 73% dos 538 ônibus da frota urbana campo-grandense.

O autônomo José Alonso dos Santos, de 39 anos, cadeirante em decorrência de sequela da paralisia infantil, utiliza duas linhas para deslocar-se diariamente do Aero Rancho, onde mora, para a região central, e classifica a qualidade do serviço atual como boa, em comparação com duas décadas atrás, época em que as entidades representativas de pessoas com deficiência passaram a reivindicar a adaptação do serviço. “Só não coloco como ótima porque falta aumentar a frota para todos os horários. Hoje, nos reforços (em horários de pico), ainda não há ônibus adaptados”, opina.

Além disso, avalia, as empresas ainda não seguiram a lei de acessibilidade, que estabelece a adaptação de 100% da frota, e precisam investir mais no treinamento de pessoal — hoje, ele estima que 60% dos funcionários estejam capacitados para atender passageiros como ele.

Outro fator problemático, cita, foi a incorporação da catraca eletrônica ao sistema do transporte coletivo, resultando na retirada dos cobradores de ônibus. “Ficou mais difícil, porque o motorista tem que trabalhar como cobrador, esperar todo mundo passar na catraca, fechar o caixa e aí descer para poder me atender e ativar o elevador. Nisso, ele perde de 5 a 10 minutos no itinerário dele e até pode ser multado pela empresa pelo atraso”, conta.

Outro problema, segundo José Alonso, é a falta de manutenção dos elevadores disponíveis nos ônibus adaptados — ao aguardar para embarcar no ônibus, o cadeirante acaba se deparando com um elevador quebrado ou com defeito. “Quando acontece, na maioria das vezes o jeito é esperar pelo próximo”, comentou.

O Correio do Estado acompanhou o usuário em um dos embarques, no ponto de ônibus da Avenida Afonso Pena, próximo à Rua Calógeras. Nesse momento, um flagrante de bom exemplo — mesmo sem o usuário ter acenado, um dos ônibus, da linha Nova Bahia, parou e o motorista desceu para atendê-lo.

Já dentro do ônibus de sua linha, José Alonso constatou uma falha — a campainha para desembarque de passageiros com necessidades especiais não estava funcionando. Além disso, o cinto de segurança para cadeirantes teve a segurança questionada pelo passageiro. “Você fica solto. Se não tiver agilidade, a cadeira fica movimentando”, comentou.

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