Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

CONSCIENTIZAÇÃO

Campo Grande registra 13 casos de Aids a cada mês

1 DEZ 2010Por Silvia Tada00h:00

Em 2010, de janeiro a setembro, 119 pessoas foram diagnosticadas com o vírus da Aids, em Campo Grande. O número representa média de 13,2 novos casos por mês, índice bem próximo do verificado no ano passado, quando 179 pessoas receberam a confirmação da doença, média mensal de 14,9 casos. Atualmente, são cerca de duas mil pessoas vivendo com Aids na Capital, que fazem uso de terapia antirretroviral (ARV), conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

A evolução no tratamento dos doentes tem permitido que muitas pessoas tenham rotina normal de trabalho, estudo e relacionamentos, por muito mais tempo. “No início da epidemia, quando o indivíduo tinha o diagnóstico de Aids, o tempo de sobrevida era em torno de dois anos. Atualmente, temos pacientes que já fazem o tratamento por cerca de 20 anos e estão em bom estado geral, trabalhando, aproveitando a vida como deve ser. A expectativa de vida depende muito de como estava seu estado de saúde antes do início do tratamento”, comentou a gerente do Programa Municipal de DST/Aids de Campo Grande, Gisele Maria Brandão de Freitas.

João*, de 34 anos, recebeu há seis anos o diagnóstico positivo da doença. Ex-usuário de drogas injetáveis, contou que o impacto foi grande. “Na hora, você pensa que vai morrer. Foi com a ajuda de médicos que comecei a entender a necessidade do tratamento e hoje vivo bem. Casei e minha filha nasceu neste ano, saudável. Minha imunidade está alta e a ajuda da família é fundamental. Mas o maior problema é o preconceito; meus amigos não sabem que sou soropositivo”.
 
Perfil
Gisele Brandão ressalta que desde o início da epidemia da Aids, no início da década de 80, ocorrem alterações no perfil do paciente. Acometendo primeiramente homens, adultos com alta escolaridade e com práticas homossexuais, passou a atingir cada vez mais os jovens, os grupos de maior exclusão social, de baixa renda, os homens heterossexuais e as mulheres.

“As atuais tendências da epidemia de Aids, no Brasil, revelam diferentes epidemias regionais, cada uma apresentando dinâmica própria, entretanto com algumas tendências em comum: declínio de mortalidade por Aids, disseminação crescente do HIV entre pessoas com práticas heterossexuais e mulheres”, destacou.

Desde 1984, foram registrados 3.142 casos na Capital. A faixa etária predominante é a compreendida entre os 30 e 39 anos, porém a tendência, verificada desde o ano passado, de acordo com dados do Sistema de Notificação (Sinan), é que a população entre 40 e 49 anos apresente crescimento maior do número de casos de AIDS.

Entre os homens, em 2010, foram 70 diagnósticos positivos, de 20 a 59 anos. A predominância foi de 40 a 49 anos, com 27 casos (66,2%). Entre as mulheres, são 40 pacientes com HIV, mas a prevalência é dos 30 a 39 anos, com 16 casos (36,6% do total).
O número de óbitos de janeiro a setembro de 2010 foi 38; em todo o ano de 2009, houve 48 mortes e o acumulado desde 1984 é de 1.216 pessoas que perderam a vida na luta contra Aids. (*Nome fictício)

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