Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

PERIGO NAS ESTRADAS

Caminhoneiros trocam rebite por cocaína para afastar sono

18 DEZ 2010Por Vânya Santos02h:50

Em época de fim de ano, quando milhares de famílias pegam a estrada e o fluxo de veículos que trafegam pelas rodovias federais de Mato Grosso do Sul aumenta de 30 a 35%, o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Valter Favaro, revela um fato, no mínimo, preocupante: motoristas estão substituindo o uso de rebite – droga estimulante, que altera psiquismo e acelera o funcionamento físico e mental – por cocaína.

Apesar de os dados sobre a revelação estarem sendo trabalhados, o superintendente afirmou que a situação foi confirmada pelo serviço de inteligência da polícia. Por enquanto, nenhum condutor foi surpreendido portando droga para consumo em rodovia, mas a PRF já tem o levantamento dos pontos de venda de entorpecentes nas margens das BRs.

Valter Favaro explicou que o uso de droga é sempre progressivo e ele acredita que os condutores estejam substituindo o rebite pela cocaína em razão de vários fatores. Um deles porque a cocaína começa a fazer efeito mais rápido. Outra justificativa é porque o pós-uso do rebite causa dores no corpo, além disso, o efeito da cocaína seria mais duradouro.

Atualmente, só é possível constatar que o motorista está dirigindo sob o efeito da cocaína caso ele confesse ou seja submetido a exame antidoping. Para isso, é preciso coletar urina do condutor e enviá-la a um laboratório. Ainda segundo Valter Favaro, a PRF está reunindo informações sobre o consumo de drogas por parte de motoristas em outros estados brasileiros, pois em cada região a substituição do rebite funciona de maneira diferente.

Mortes
Dados da PRF apontam que, de janeiro a agosto de 2010, foram registrados 1.302 acidentes nas rodovias federais brasileiras provocados pelo sono e envolvendo veículos de carga. Neste período, 471 pessoas ficaram feridas, enquanto 50 morreram. Sonolência também foi a causa de 7.798 acidentes no período de 2006 a 2010, resultanto em 2.885 feridos e 317 mortos. Já Mato Grosso do Sul registrou aumento de 17,5% no número de mortes em rodovias federais. De janeiro a outubro deste ano, foram 162 casos contra 138 no mesmo período do ano passado.

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