Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

COMÉRCIO POPULAR

Camelódromo troca Paraguai por São Paulo

16 DEZ 2010Por Carlos Henrique Braga00h:00

A dependência histórica dos comerciantes do camelódromo de Campo Grande com o Paraguai perdeu força e deve acabar após o Natal. A onda de formalização mudou o rumo das compras, principalmente para São Paulo, porque empresa formal tem de vender com nota fiscal, por isso, nem pensar em cruzar a fronteira. Além disso, ao comprar como empresa, os descontos são vantajosos.

O Sebrae estima que cerca de 370 dos 467 comerciantes do local abandoram a informalidade, cadastrando-se no Programa Empreendendor Individual. A diretora da Associação dos Vendedores Ambulantes (AVA), Eliane Santos, espera que até março todos tenham deixado a informalidade. A entidade deve mudar de nome e de estrutura para adaptar-se aos desafios da era pós-Paraguai.

Deixar as viagens de compras no passado é um alívio. "Às vezes sonhava que a polícia entrava no ônibus e levava tudo embora", diz um dos vendedores. Além disso, os novos empreendedores podem ser excluídos do regime se forem pegos com mercadorias não permitidas ou acima da cota.

Até 31 de novembro, R$ 81 milhões foram apreendidos pelo Núcleo de Repressão da Receita Federal na faixa que vai de Mundo Novo a Ponta Porã, principais acessos aos centros de compras estrangeiros. O total é 32,7% maior do que o apreendido no ano passado inteiro (R$ 61 milhões). A cota é de US$ 300 dólares por pessoa (R$ 525), e ganhou limitação de quantidade em 1º de outubro, como 12 litros de bebida.

O delegado da Receita, Edson Ishikawa, diz que é cedo para contabilizar queda no fluxo de sacoleiros, mas que a ideia é diminuí-lo. "O que a gente quer não é apreender, é que eles possam, cada vez mais, valorizar a mercadoria brasileira", afirma.

Os produtos são os mesmos "made in China", mas com preço maior. No box de Silvano Rodrigues, bolsas e carteiras para o Natal só as compradas na Rua 25 de Março, em São Paulo. Os preços subiram pelo menos 5% desde que deixou de comprar mercadorias paraguais, há 3 meses.

Adenilsa de Souza, que já foi vendedora de rua, diz que os brinquedos paraguaios que restarem do Natal serão eliminados. "Agora tem que estar tudo dentro da lei", avisa. Ela admite que deixar de trazer bugigangas do Paraguai vai diminuir lucros, e não descarta voltar a importar se os preços nacionais não compensarem.

O Paraguai pode não ser mais o principal destino dos comerciantes do camelódromo, mas está ainda mais atraente com o dólar mais barato da década para dezembro. Cotado a R$ 1,69, média até o último dia 13, a moeda norte-americana sofreu desvalorização de 3,4%, em relação ao mesmo mês do ano passado.

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